O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o fim da taxa federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas digitais não causará prejuízo ao país. Ao comentar sobre a “taxa das blusinhas”, Lula disse que a medida atingiu uma parcela grande da população que compra produtos de pequeno valor pela internet. “Isso não vai causar nenhum prejuízo”, afirmou o presidente. “Por que os coitados não podem comprar?” Lula disse que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inicialmente considerou a taxação uma medida importante, em razão da pressão de varejistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo o presidente, Haddad depois percebeu que o governo estava mexendo com um público amplo, formado por consumidores de menor renda que recorrem às plataformas internacionais para comprar itens baratos. O presidente também questionou o argumento de proteção ao varejo nacional. Segundo Lula, muitas das grandes lojas que atuam no Brasil vendem roupas e outros produtos fabricados em países como China e Vietnã. Para ele, esse dado enfraquece a crítica às compras internacionais de baixo valor feitas diretamente por consumidores. Lula citou ainda que o vice-presidente Geraldo Alckmin relatou que a esposa e a filha faziam compras nessas plataformas, assim como a primeira-dama Janja. Ao tratar do endividamento das famílias, Lula disse que o governo avalia lançar uma campanha oficial de educação financeira. O presidente associou o problema ao avanço do consumo digital, em que a facilidade de comprar pelo telefone torna mais difícil para o consumidor perceber o limite entre desejo, crédito disponível e capacidade real de pagamento. “As pessoas têm direito de fazer dívida. Não pode é fazer dívida além do que podem pagar”, afirmou. Segundo Lula, a tecnologia tornou o consumo mais imediato e estimulante. “Antes você colocava a mão no bolso e via que não tinha dinheiro. É fácil e estimulante gastar.” Lula disse que o Desenrola 2 é a segunda tentativa do governo de enfrentar o endividamento da sociedade. Ele lembrou que, em 2008, durante a crise financeira internacional, foi à televisão estimular a população a consumir para evitar a paralisação do comércio. Agora, segundo o presidente, o desafio é outro: criar instrumentos de renegociação e educação para evitar que o consumo facilitado pelas plataformas digitais se transforme em perda de controle financeiro. Presidente Lula — Foto: Ricardo Stuckert / PR