O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, não esconde quem considera responsável pela crise econômica de Cuba. Segundo o político cubano-americano, o culpado é um conglomerado militar conhecido pela sigla Gaesa. “Cuba é controlada pela Gaesa”, disse Rubio na quarta-feira, em uma mensagem em vídeo em espanhol dirigida ao povo cubano. “Um ‘Estado dentro do Estado’ que não presta contas a ninguém e acumula os lucros de seus negócios em benefício de uma pequena elite.” A liderança cubana raramente discute a Gaesa em público. Há muito tempo sustenta que essa discrição é necessária para enfrentar o embargo comercial e financeiro dos EUA, que dificulta severamente os negócios da ilha com o resto do mundo. O que é a Gaesa? Gaesa significa Grupo de Administración Empresarial, ou “Grupo de Administração Empresarial”. Trata-se de um vasto conglomerado de empresas administradas pelos militares, amplamente considerado o grupo empresarial mais lucrativo e eficiente da ilha. A Gaesa controla muitos dos hotéis cinco estrelas da ilha caribenha, o maior porto do país em Mariel, seu principal banco comercial, além de uma ampla rede de supermercados, postos de gasolina e negócios de remessas financeiras. O grupo empresarial altamente centralizado foi criado nos anos 1990 pelo então ministro da Defesa, Raúl Castro, e é controlado pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, ex-genro de Raúl Castro, comandou a Gaesa até sua morte, em 2022. Sua sucessora, a general de brigada Ania Guillermina Lastres, foi alvo de sanções dos EUA no início deste mês pelo governo do presidente Donald Trump. Talvez o símbolo mais visível da importância da Gaesa em Cuba seja a chamada Torre K, um edifício de 42 andares que abriga o hotel cinco estrelas Iberostar Selection La Habana e é a estrutura mais alta da ilha. Sua construção, ligada a negócios da Gaesa, foi concluída em 2025, em um momento em que o turismo estava em colapso. Hoje, a torre e o hotel permanecem em grande parte vazios e sem uso. O que os Estados Unidos dizem sobre a Gaesa? Rubio mencionou a Gaesa oito vezes durante sua mensagem de cinco minutos ao povo cubano. O governo Trump acusa a Gaesa de concentrar os lucros das indústrias mais valiosas do país e utilizá-los em benefício dos militares e da elite cubana. “A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam seu país saquearam bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo”, afirmou Rubio. Os EUA impuseram repetidamente sanções a empresas ligadas à Gaesa, proibindo na prática o turismo americano em hotéis controlados pelo conglomerado. O que Cuba diz sobre a Gaesa? Cuba nega que enriquecimento ou corrupção da Gaesa sejam responsáveis pela atual crise econômica e aponta, em vez disso, para comentários recentes de especialistas da ONU afirmando que um bloqueio de combustíveis promovido pelo governo Trump causou “fome energética”, com graves consequências para os direitos humanos e o desenvolvimento. Fora isso, o governo fala muito pouco sobre o conglomerado. Uma busca online no jornal do Partido Comunista cubano, Granma, encontrou apenas sete referências ao termo “Gaesa” nos últimos 20 anos. As menções são escassas e pouco detalhadas. Poucos funcionários cubanos comentam publicamente sobre a Gaesa, e as finanças do conglomerado não aparecem no orçamento do governo comunista. Ao longo dos anos, várias autoridades argumentaram que o sigilo é necessário para proteger negócios estratégicos que geram moeda estrangeira em meio às duras sanções americanas. Em 2024, Gladys Bejerano, então controladora-geral e principal auditora de Cuba, disse à agência espanhola EFE que a Gaesa estava fora de sua jurisdição e que o grupo empresarial militar demonstrava “disciplina e organização superiores”. Qual é o tamanho real da Gaesa? Não há informações públicas sobre quanto da economia cubana é controlado pela Gaesa. Estimativas externas variam entre 40% e 70%. Rubio afirmou que as receitas da Gaesa são três vezes maiores do que o atual orçamento nacional cubano. “Hoje, enquanto vocês sofrem, esses empresários têm US$ 18 bilhões em ativos e controlam 70% da economia cubana”, declarou. Na semana passada, a embaixada de Cuba no Reino Unido publicou na rede X que uma reportagem do Miami Herald citando o valor de US$ 18 bilhões exagerou a riqueza da Gaesa em 24 vezes. “A contabilidade básica desmonta essa ‘bomba’”, afirmou a embaixada. “Por que o engano? Inventar um tesouro secreto de US$ 18 bilhões oferece uma justificativa política conveniente para endurecer as sanções ilegais que sufocam o povo cubano.”
Conglomerado cubano Gaesa está no centro das tensões entre EUA e Cuba
Pouco se sabe sobre grupo, que controla hotéis e vários outros negócios na ilha; jornal americano estimou seu valor em US$ 18 bi













