A França continuará oferecendo apenas ajuda limitada a consumidores afetados pelos altos preços dos combustíveis, afirmou nesta quinta-feira (21) o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ao anunciar 710 milhões de euros (US$ 823 milhões) em apoio adicional e defender a transição para carros elétricos. Paris vem resistindo a reduzir impostos sobre combustíveis, ao contrário de vários outros países europeus, mesmo após o fechamento do Estreito de Ormuz elevar o preço do petróleo para acima de US$ 100 por barril. O governo cita como motivo as restrições impostas por um dos maiores déficits orçamentários da zona do euro. “Não vamos mudar nossa estratégia”, afirmou Lecornu em entrevista coletiva. “Recusamos qualquer redução geral e indiscriminada dos impostos sobre combustíveis”. Segundo ele, o governo ampliará medidas direcionadas e reforçará incentivos para amenizar os impactos sobre grupos específicos. Lecornu também afirmou que a França deve apostar em uma de suas principais vantagens competitivas — sua rede de reatores nucleares, responsável por mais de dois terços da eletricidade do país — e acelerar a eletrificação dos setores de aquecimento e transporte. “A transição para a eletrificação está acontecendo, gostemos ou não. Começamos tarde demais? Não, ela já está em curso, felizmente. Precisamos acelerar? Já estamos acelerando”, afirmou. Os programas de apoio já existentes para setores como pesca e agricultura serão prorrogados por mais três meses, enquanto taxistas receberão um novo bônus para financiar a compra de veículos elétricos. Empresas também poderão dobrar um bônus isento de impostos destinado a funcionários que utilizam automóveis para ir ao trabalho, elevando o teto para 600 euros. Lecornu afirmou que o cenário mais otimista do governo prevê retorno a condições mais normais até o outono europeu (primavera no Brasil), embora tenha ressaltado que cenários muito mais pessimistas também estão sendo considerados devido ao elevado grau de incerteza. O ministro do Orçamento, David Amiel, afirmou que o novo pacote elevará para quase 1,2 bilhão de euros o total gasto pelo governo para ajudar famílias a lidar com os custos mais altos dos combustíveis. Ele acrescentou que o governo compensará o custo por meio de cortes de gastos em outras áreas e atualizará suas metas orçamentárias até o fim de junho.