O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal nunca recorreu à “Lei Daniel Vorcaro” para financiar artistas brasileiros. Em crítica a seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse que o pré-candidato parecia o "mais santo" da família até virem a publico o pedido de dinheiro feito por ele ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Vocês sabem quantas ofensas artistas receberam porque iam buscar um dinheiro na Lei Rouanet?”, questionou Lula, ao mencionar legislação frequentemente alvo de críticas de políticos de oposição ao petista. As declarações ocorreram nesta quinta-feira (21) durante cerimônia pública em Aracruz (ES). Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões de R$ 134 milhões previstos. Flávio nega haver irregularidades na transação. A Polícia Federal avalia investigar o destino do dinheiro. A revelação da ligação com Vorcaro deu início a uma crise política na pré-campanha do senador. Quando confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro, Flávio afirmou que buscava investimentos privados para realizar o filme e atacou a legislação ao dizer que o "Dark Horse" tinha “zero de Lei Rouanet”. “Quem imaginava que aquele menino que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro estaria pegando US$ 159 milhões de dólares para fazer um filme do pai. Ninguém imaginava. E, isso é só o que a gente sabe agora”, afirmou Lula, para quem "mais coisas" sobre o caso virão à tona. “Ainda vai aparecer muito mais coisa [sobre Flávio]. Estamos convencidos que o período da mentira, das ofensas, da violência, da incivilidade precisa acabar no nosso país”, acrescentou o presidente. Durante o evento, o governo entregou 12 micro-ônibus e 11 vans no âmbito dos programas Agora Tem Especialistas e Saúde do Rio Doce, respectivamente. Lula também anunciou a distribuição de mais 89 unidades de equipamentos culturais itinerantes, "MovCeus". O presidente também assinou decreto que reestrutura o Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e um conjunto de portarias que regulamentam a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e o Programa Festejos Populares do Brasil.