O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro mentiu quando disse não ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre o seu pai, o ex-presidente, hoje presidiário, Jair Bolsonaro. Quando foi obrigado pelos fatos a se desmentir, disse ter pegado cerca de R$ 61 milhões do banqueiro para o filme, mas a produtora do longa garante não ter recebido nada de Vorcaro nem de empresas a ele ligadas.
Como a produtora alega confidencialidade dos contratos com investidores para não mostrar a origem do financiamento da obra, restaram, até agora, duas opções na mesa: (1) o dinheiro nunca foi para o filme; (2) a produtora não contabilizou como dinheiro ligado a Vorcaro, uma vez que ele teria passado pelo fundo Havengate Development Fund LP., registrado nos Estados Unidos por um advogado ligado à família Bolsonaro.
A hipótese número 1 seria um problema para as partes e para a polícia. Já a hipótese número 2 traz à tona um problema sistêmico que o mercado financeiro pracisa enfrentar: a bagunça que se tornou o uso de fundos de investimentos.
O fundo do caso Bolsonaro, especificamente, fica nos EUA, mas toda a investigação sobre o Master e a Reag —gestora enrolada com os esquemas de Vorcaro e em investigações envolvendo lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital)— mostra que o sistema financeiro está operando com pontos cegos demais em relação a fundos de investimento.












