Cinco pontos que você precisa saber sobre aluguel de imóveis na reformaMaria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, fala sobre as mudanças para os locatários e os aluguéis com a reforma tributária. Crédito: Jefferson Perleberg (Edição)Gerando resumoA disparada na liberação do crédito consignado, somada ao endividamento já bastante alto das famílias brasileiras, acendeu o sinal de alerta das construtoras. Há uma preocupação de que uma possível piora na capacidade de pagamento da população atrapalhe não somente as vendas de imóveis, como também os financiamentos concedidos aos consumidores.PUBLICIDADEEsse fator de risco é mais alto para as construtoras que atuam no segmento de moradias populares, dentro do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Nesses casos, é muito comum o cliente não ter uma poupança capaz de arcar com 20% a 30% do valor do imóvel que é pago na entrada da compra.Esse valor acaba parcelado pelas construtoras — uma espécie de financiamento, que é chamado de “pro soluto”, no jargão do setor. Embora facilite os negócios, o problema do “pro soluto” é que ele não tem garantia em caso de inadimplência dos consumidores, pois o imóvel já é usado como garantia para o banco que financia os 70% a 80% restantes.Leia tambémSonho da casa própria fica mais distante para a classe média e aluguel dispara no PaísDe escritório abandonado a moradias: retrofit transforma prédio histórico em habitação para aluguelCom o endividamento crescente da população, turbinado pelo novo consignado, o risco de inadimplência está mais alto. “O valor líquido do salário recebido pelos empregados vem sendo reduzido pelo consignado privado. O risco da carteira de ‘pro soluto’ está se ampliando”, afirma o consultor de negócios imobiliários José Urbano Duarte, ex-diretor de habitação da Caixa Econômica Federal.PublicidadeA concessão de consignado no Brasil girava em torno de R$ 1,6 bilhão por mês, na média, até março de 2025. Aí o governo federal lançou o “Crédito do Trabalhador”, modalidade de consignado que tem o FGTS como garantia, abrindo espaço para taxa de juros menores. Depois disso, o volume de empréstimos saltou para mais de R$ 6 bilhões por mês, atingindo um pico de R$ 10,9 bilhões em março de 2026, conforme levantamento feito por Urbano.A vantagem do crédito consignado é ser uma dívida mais barata, mas o problema é a população ficar cada vez mais endividada, diz diretor da MRV Foto: Tiago Queiroz/EstadãoA consequência do crescimento a passos largos do crédito consignado é a “perda de renda” da população nos meses seguintes, uma vez que a parcela dos financiamentos é debitada do contracheque dos trabalhadores para pagar os bancos em primeiro lugar. O resultado é um aumento no risco de inadimplência em outros compromissos já assumidos por essas pessoas, abrangendo desde o ‘pro soluto’ até o aluguel, a fatura do cartão de crédito, entre outras.“A consequência dessa dinâmica é o menor risco do consignado para os bancos e o aumento da oferta dessas linhas. Mas com uma captura crescente da renda e ampliação do risco, aumentando a inadimplência nas demais linhas de crédito”, observou Urbano.O diretor financeiro da MRV, Ricardo Paixão, concorda que o cenário merece das construtoras atenção, bem como de outros setores produtivos. “Isso atrapalha tudo, não só a carteira ‘pro soluto’. Afeta desde o aluguel até os gastos nos supermercados”, ressaltou. “O banco é como um credor sênior do consumidor. A vantagem é ser uma dívida mais barata, mas o problema é a população ficar cada vez mais endividada. Pode ser um fator de pressão”. O diretor financeiro acrescentou que a MRV não teve piora na inadimplência dos seus clientes até aqui, mas afirmou que esse é um ponto de atenção para o ano.PublicidadeA Cury também está de olho nesse quadro. “A inadimplência requer um monitoramento de perto. Impactou nossa carteira? Ainda não. Ela ainda está sob controle, mas estamos realmente muito atentos, devido a famílias estarem mais endividadas”, disse João Carlos Mazzuco, diretor financeiro da Cury. Por sua vez, o copresidente da construtora, Leonardo Mesquita, disse que o endividamento crescente já atrapalha as vendas. “Há muitas pessoas que deixam de comprar um imóvel pelo nome negativado. Nos estandes, dizemos muito mais ‘não’ do que ‘sim’. O endividamento nos atrapalha”, comentou.