Os dois portugueses que participaram na mais recente flotilha humanitária para Gaza e que estão detidos em Israel devem regressar esta sexta-feira a território nacional. O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, ambos médicos, vão embarcar em Israel pelas 13h desta quinta (hora de Lisboa) com destino a Istambul. Daí partirão na sexta-feira para o Porto, onde residem.Os cerca de 430 integrantes da flotilha estão detidos no porto de Ashdod desde que as Forças Armadas israelitas começaram a interceptar as embarcações e a capturar todos os membros a bordo, na segunda-feira. A Turquia, anunciou esta quinta-feira o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, vai realizar voos especiais para repatriar os seus cidadãos – são, pelo menos, 78 – e também de outros países. A Turkish Airlines mobilizou três aviões para a operação.A flotilha, com mais de 50 embarcações, tinha partido de Marmaris, na Turquia, há uma semana, integrando pessoas originárias de 44 países. Espanhóis, franceses, italianos, malaios e canadianos eram dos que estavam em maior número. Todos começam a ser deportados de Israel esta quinta-feira.Na quarta-feira, a divulgação de um vídeo em que o ministro israelita Itamar Ben-Gvir provoca dezenas de pessoas originou reacções de repúdio em todo o mundo, inclusive de governos tradicionalmente alinhados com Israel.Num exemplo bastante raro de condenação por parte dos Estados Unidos, o embaixador norte-americano em Telavive, Mike Huckabee considerou “desprezíveis” as acções de Ben-Gvir, a quem acusou de “trair a dignidade da sua nação”. Huckabee tinha antes chamado “fraude-tilha” à iniciativa dos activistas, considerando-a “um gesto estúpido”, mas partilhou no X o comunicado, também ele crítico, que Benjamin Netanyahu fez sobre o vídeo.O primeiro-ministro israelita sentiu necessidade de se posicionar quando já vários executivos tinham mostrado o seu desagrado publicamente. “A maneira como o ministro Ben-Gvir lidou com os activistas da flotilha não está em linha com os valores e normas de Israel”, escreveu Netanyahu.Antes, já responsáveis políticos italianos, franceses, espanhóis, belgas, neerlandeses, sul-coreanos, canadianos e turcos tinham criticado Israel. Portugal, pelas vozes do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros, também considerou “inaceitável” o tratamento dado aos activistas da flotilha, incluindo aos dois cidadãos portugueses.“É inadmissível que os activistas, entre os quais muitos cidadãos italianos, sejam submetidos a um tratamento que lesa a sua dignidade”, escreveu no X a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmando também que “a Itália exige um pedido de desculpas”.