Fontes renováveis precisam coexistir com a geração a gás natural, dando segurança ao sistema para acompanhar o crescimento Torre de transmissão em Campo Grande, Zona Oeste do Rio — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo./07-06-2022 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 22:31 Subsídios a Renováveis Ameaçam Estabilidade do Sistema Elétrico Brasileiro A explosão dos subsídios para energias renováveis, como solar e eólica, ameaça a estabilidade do sistema elétrico brasileiro, sobrecarregando a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e elevando os custos para consumidores. Embora essenciais, essas fontes são frágeis e precisam coexistir com a geração a gás natural para garantir segurança. A falta de leilões de segurança agrava o risco de apagões, destacando a necessidade de equilíbrio econômico e justiça tarifária. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nos últimos anos, o consumidor brasileiro vem lidando com um fantasma silencioso e de apetite voraz na conta de luz: a explosão dos subsídios. O coração desse desequilíbrio é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que rateia esses custos na tarifa. O salto é alarmante. Os subsídios para fontes incentivadas (eólica e solar) somavam R$ 12,4 bilhões em 2023. Neste ano, se aproximam de R$ 36 bilhões, incluindo a autoprodução de energia. O que nasceu como política de incentivo a fontes renováveis transformou-se em mecanismo de transferência de renda inverso: a maioria financia os benefícios a uma minoria. Atualmente, entre 44% e 50% dos subsídios da CDE são destinados a fontes renováveis e geração distribuída. Na tarifa dos consumidores do mercado cativo, essas rubricas se dividem entre descontos tarifários, benefícios ao uso das redes de distribuição e transmissão proveniente de fontes incentivadas — sobretudo eólica e solar — e subsídios e compensações à geração distribuída (GD) para consumidores com sistemas próprios, como painéis solares. A concentração de parcela expressiva da CDE para beneficiar renováveis se intensificou com o Marco Legal da Geração Distribuída, de 2022. Ao sinalizar o fim de benesses, a legislação gerou uma “corrida do ouro”. Investidores aceleraram projetos para obter privilégios antes da mudança de regras, sobrecarregando o sistema e exigindo bilhões para ampliar a transmissão da energia. É uma socialização de custos injustificável: sistemas próprios e o setor de renováveis reduzem sua contribuição, deixando a conta aos demais consumidores, famílias de menor renda. As fontes solar e a eólica são fundamentais, mas frágeis. Quando o sol se põe, reduzindo a geração abruptamente, o consumo das famílias atinge o pico. Aí entram as térmicas, gerando potência imediata de forma contínua. Em julho passado, o Operador Nacional do Sistema (ONS) determinou a maximização da geração das térmicas e sua prontidão até o início deste ano para evitar apagões. O crescimento da demanda de energia vem exigindo leilões de segurança. O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado em março, deveria ter ocorrido há cinco anos. Ele tem custo baixo perto da segurança que traz. Foram mais de cem novos projetos, com investimentos acima de R$ 65 bilhões e geração de milhares de empregos. O peso dos subsídios, que ajudaram a criar a necessidade de corte quando a rede não consegue absorver o excesso de geração (o curtailment), foi de R$ 58,2 bilhões em 2025. Em abril, os cortes somaram quase 19% do total gerado. Pagamos para incentivar uma energia depois desperdiçada. Mas permanece a insegurança do sistema, graças aos atrasos na realização do LRCAP e incertezas quanto à sua homologação. Agora chegaremos ao período seco de 2026 renunciando à contratação de 7.609 MW de térmicas existentes. Produtos previstos para agosto de 2027 serão postergados para março de 2028. Investidores se submeterão a essa insegurança? Os responsáveis pela realização do LRCAP são conhecidos, eles definem políticas públicas e a operação do sistema. É preciso identificar quem recomenda o cancelamento do leilão para o caso de problemas de suprimento. A matriz elétrica brasileira está descompensada. Quanto mais em subsídios estamos dispostos a pagar para ampliar instabilidade e insegurança? Defender sustentabilidade não significa ignorar a lógica econômica ou a justiça tarifária. Fontes renováveis precisam coexistir com a geração a gás natural, dando segurança ao sistema para acompanhar o crescimento econômico, como as empresas de IA, que têm fechado contratos em países vizinhos. A expansão das fontes renováveis precisa ser feita com responsabilidade, a preços de mercado e com seguro. O risco de apagão elétrico existe. E o risco de apagão econômico, também. *Reive Barros, diretor da consultoria Acropolis Energia, foi diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica e secretário de Planejamento do Ministério de Minas e Energia
O peso dos subsídios e o risco do apagão
Fontes renováveis precisam coexistir com a geração a gás natural, dando segurança ao sistema para acompanhar o crescimento














