A violência masculina se forma, constrói, se alimenta e dá as caras de muitas formas. No último 8 de março, ela se fez vista em um dos principais cenários do futebol brasileiro. Em Belo Horizonte, o Mineirão lotado assistia à final do Campeonato Mineiro entre Cruzeiro e Atlético. O jogo ainda nem tinha terminado quando o espetáculo saiu do futebol. Nos minutos finais, jogadores se empurraram, trocaram socos, chutes e xingamentos. Uma briga generalizada tomou o campo.
No Dia Internacional das Mulheres (em um ano em que o feminicídio segue escancarado em nosso país) um dos maiores palcos esportivos do país encenava, mais uma vez, um espetáculo familiar de agressividade masculina. Nos desdobramentos do jogo, torcedores nas redes sociais tratavam isso como algo natural, engraçado, e incentivavam ainda mais violência.
E assim, o futebol se retroalimenta pelo dilema de Tostines: o futebol produz e ensina masculinidades violentas, e é produzido e reforçado por elas. Historicamente constituído como um espaço dos homens, ele se torna uma das principais arenas de socialização desde a infância. Times são referência para milhões de crianças. Muitas vezes, as meninas ficam de fora das quadras, enquanto os meninos aprendem formas de masculinidade: a rivalidade, a virilidade, o confronto. Aprendem cedo que ser homem inclui, muitas vezes, a agressividade como algo quase natural, esperado.













