A final da Champions está definida: PSG e Arsenal. Na primeira semifinal, PSG e Bayern disputaram um jogo histórico, com nove gols. Parecia até resultado de pelada, mas foi uma partida memorável. No segundo confronto deu empate. Emoção até o último segundo. No futebol, o jogo acaba no apito final, acréscimos têm regras. Não é como o inquérito das Fake News; sem prazo para terminar.Pensei na Copa e na apatia dos torcedores brasileiros. A menos de um mês do início dos jogos, não sabemos a escalação. O álbum da Copa esperou o quanto deu e veio sem figurinha do Neymar. Na TV, o anúncio celebra os craques do passado: Pelé, Jairzinho, Sócrates, Rivaldo, os Ronaldos, Zico e Neymar. A propaganda termina enaltecendo o futuro com Vini Jr e Rafinha. Não gosto muito da postura “no meu tempo era melhor”, mas era. Quem viu viu.A menos de um mês do início dos jogos da Copa, não sabemos a escalação da seleção brasileira Foto: Wilton Junior/EstadãoPUBLICIDADEMe peguei pensando no Brasil. Os eleitores também estão apáticos. As pesquisas mostram que os candidatos “favoritos” são também os mais rejeitados. E não há jogadas geniais que nos comovam. Inevitável sentir saudades de FHC, do prazer em votar, da equipe campeã. Éramos felizes e sabíamos.Os jogos europeus me fascinam pela disciplina. O juiz controla a partida. Marca um pênalti, e ninguém parte para cima dele, só falam os capitães dos times. Na dúvida, o VAR é chamado e rapidamente dá o veredicto. Os árbitros são respeitados, não importando se são homens ou mulheres a anular um gol. O número de faltas é baixíssimo. A violência é punida com vermelho. A regra é clara.No Brasileirão são dezenas de faltas em uma partida. Os jogadores xingam os juízes e suas pobres mães. Árbitras sofrem toda a sorte de preconceito. Brigas entre times se tornaram corriqueiras, e as entre as organizadas deixam vítimas fatais. É ódio e não torcida. A CBF não tem moral, deixa a violência correr solta e a arbitragem destruir o nosso futebol, por incompetência ou má-fé mesmo.PublicidadeFora de campo se vê algo parecido. Nossos juízes supremos mudam de opinião como lhes convém. Ameaçam cidadãos com cartões vermelhos sem direito a VAR. O Congresso parece a CBF; vota-se de tudo menos o que de fato interessa à sociedade. No Executivo, o técnico insiste em jogador perna de pau, repete erros, ignora as vaias da torcida e vai levando o time para o Z4.Essa bagunça funciona em mesa de bar e grupos de zap, é até divertido. Mas, fora do futebol não dá. Com essa insegurança jurídica, regulatória e política, não surpreende que a nossa renda per capita caia, a produtividade fique estagnada, e o eleitor esteja sem ganas de votar. E, pelo jeito, nem a Copa vai nos salvar.