Numa cerimónia realizada no Ministério das Infraestruturas e Habitação, a CP lançou esta quarta-feira um concurso para comprar 12 comboios de alta velocidade (com a possibilidade de adquirir mais oito) por um preço base de 504 milhões de euros. A indústria ferroviária terá de entregar propostas até 2 de Julho e os concorrentes terão de esperar 44 dias para saber qual a decisão final, estando prevista a assinatura do contrato no primeiro trimestre de 2027O negócio inclui um serviço de manutenção integral, a executar pelo adjudicatário nos dois anos subsequentes à recepção do primeiro comboio, o qual deverá acontecer em 2031, numa data que está alinhada com as expectativas da IP – Infraestruturas de Portugal para a inauguração da primeira fase da linha de alta velocidade entre o Porto e Soure.Tal não significa que estes comboios só venham a circular nesse troço porque, como a linha será feita em bitola ibérica, estes poderão prosseguir pela linha do Norte enquanto não ficar concluída a totalidade da linha de alta velocidade. Só nessa altura, porém, será possível assegurar a ligação Lisboa – Porto em 1 hora e 15 minutos. Até lá, os comboios serão subaproveitados, em termos de velocidade, em metade da linha do Norte.Em rigor, estas composições não se tratam de comboios (locomotiva a rebocar carruagens), mas sim de automotoras, cuja tracção é distribuída ao longo das carruagens. O caderno de encargos não especifica quantas carruagens terá cada automotora, mas obriga a que disponibilizem mais de 500 lugares e que estejam adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida, e incluam lugares para bicicletas (o que não é frequente em comboios de alta velocidade na Europa), bem como sistema de info-entretenimento, Wi-Fi, tomadas USB-C e videovigilância.“Queremos uma CP moderna, capacitada para o mercado de concorrência, para prestar um serviço público cada vez mais eficiente, sustentável e de qualidade”, afirmou o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, no lançamento do concurso.Mas foi apenas há dois anos que o governante colocava reservas à intenção da CP em ser líder do mercado de alta velocidade em Portugal. Nessa altura, a empresa tinha apresentado um plano de negócios que incluía a compra de 18 comboios, mas Pinto Luz foi claro ao afirmar que “não vamos comprar tantos comboios quantos a CP queria” porque “não é saudável para o mercado a CP ficar com 80% da quota de mercado”.Agora, e a concretizar-se a opção de compra, não serão 18, mas sim 20 o número de composições a comprar, o que permitirá à empresa pública operar com um comboio em cada meia hora entre Lisboa e Porto. Tal não impede, porém, a vinda de outros operadores, pois quando a linha de alta velocidade estiver totalmente construída haverá ainda canais horários para acomodar mais comboios. A B-Rail, do grupo Barraqueiro, e a Renfe são os potenciais concorrentes óbvios da CP, mas o mercado está liberalizado e poderão sempre aparecer outros.
CP lança concurso para comprar comboios de alta velocidade
Preço de base é de 504 milhões para 12 composições com opção de mais oito.








