Na noite desta segunda-feira, 19 de maio, mais de 50 executivos se reuniram em São Paulo no C-Level Performance Meeting, um evento fechado em que o nadador olímpico Gustavo Borges e o empresário Jheython Santana anunciaram o lançamento da Vincere Performance. Entre os presentes, havia C-levels de grandes companhias do país. A joint-venture entre o Grupo Gustavo Borges e a Tetra Educação chega ao mercado com uma tese específica: o problema das empresas brasileiras não está mais no topo, está no meio. "Treinar o C-level é importante, mas, muitas vezes, a média liderança, gerentes, coordenadores e profissionais da base não recebem o mesmo investimento. O resultado é que o topo avança e a equipe não consegue acompanhar", afirma Gustavo Borges, quatro vezes medalhista olímpico e CEO do Grupo Gustavo Borges. Para ele, a conclusão é direta: "Não existe mais talento pronto na prateleira. Não existe outra saída a não ser transformar as empresas em universidades corporativas." À frente da operação estará Luiz Gustavo Borges, ex-nadador da seleção brasileira e hoje diretor comercial e de operações do Grupo Gustavo Borges. Jheython Santana, fundador e CEO da Tetra, atuará na estratégia e no desenvolvimento de produto, ao lado de Stephanie Barreto, sócia e Diretora de Operações da Tetra, que responde pela operação do dia a dia da área de produto. A Tetra entra com a estrutura de produto e tecnologia construída ao longo de quase sete anos de operação. A edtech tem mais de 40 mil alunos formados, opera com modelo digital em todo o Brasil e iniciou expansão para a Colômbia. O Grupo Gustavo Borges fica responsável pela frente comercial e pela curadoria. A Vincere também terá participação societária de Marcelo de Andrade, ex-presidente global da chinesa Cofco e ex-executivo da Cargill, que entrou como sócio da Tetra Educação em 2024 e atua como conselheiro estratégico. "O Marcelo abre portas. A rede de relacionamento dele em grandes companhias é um ativo importante para o nosso movimento B2B", diz Santana. O fator IA Se o lançamento da Vincere tem um ponto de fundo, ele se chama Inteligência Artificial. Para os sócios, a velocidade com que a IA está redesenhando processos, funções e modelos de negócio é o principal motor por trás da nova empresa. "O mercado avançou mais rápido do que o normal. As empresas estão sendo obrigadas a mudar a forma de trabalhar em uma velocidade que o modelo tradicional de treinamento não acompanha. Quem não recapacitar o time, fica para trás", afirma Santana. Não por acaso, IA é um dos cinco pilares de conteúdo da Vincere e estará presente como um dos cursos do catálogo padrão da universidade corporativa. "A nossa aposta é que, em pouco tempo, dominar IA vai deixar de ser diferencial competitivo e vai virar requisito básico, do estagiário ao diretor. Quem entender isso antes, ganha", diz o CEO da Tetra. Mercado pulverizado O mercado brasileiro de treinamento e desenvolvimento corporativo movimenta bilhões de reais por ano e, segundo o CEO da Tetra, é marcado por uma característica que abriu a janela para a Vincere: a fragmentação. "É um mercado muito aberto. Não existe um player com market share dominante. As empresas, muitas vezes, contratam treinamentos por indicação e o que recebem na filial de Santa Catarina é diferente do que é entregue na de Minas Gerais. Não há padrão", afirma Santana. A proposta da Vincere é justamente fechar essa lacuna. A metodologia parte de aulas baseadas em estudos de caso reais, conduzidas por profissionais do mercado e validadas por uma área de produto interna, com o objetivo de garantir um padrão único de entrega em qualquer região do país. A régua de qualidade é objetiva: professor cujo NPS fique abaixo de 90% é substituído. "Empresas querem resultado de atletas, mas treinam como amadores. A gente quer mudar isso", afirmou Luiz Gustavo Borges no palco do evento de lançamento. Universidade corporativa como carro-chefe O ICP, perfil de cliente ideal da Vincere, são empresas com mais de 500 funcionários, e os principais interlocutores são CEOs, C-levels e diretores de Recursos Humanos. Entre os formatos de entrega estão pós-graduação, treinamentos presenciais, palestras, workshops e uma plataforma de conteúdo em modelo LMS. Mas o carro-chefe é a universidade corporativa personalizada. "Nós entregamos para a empresa uma universidade com a cara dela: logo próprio, aplicativo, e um catálogo que já começa com os principais cursos de mercado, como Inteligência Artificial, Gestão e Liderança, Vendas e Negociação, Oratória, Inglês e Excel, com a possibilidade de o cliente subir conteúdos próprios. A partir daí, montamos programas anuais de desenvolvimento, combinando o presencial e o online", explica o executivo. Os cinco pilares de conteúdo da Vincere são Comunicação e Cultura, Liderança e Execução, Tech e Global Skills, Inteligência Artificial, e Energia e Alta Performance. Esse último pilar é onde o DNA esportivo do Grupo Gustavo Borges aparece com mais força. Parte do conteúdo trata explicitamente de sono, alimentação, gestão do corpo e da mente, temas tradicionalmente associados ao esporte de alto rendimento e que, na tese da empresa, são tão decisivos para a performance corporativa quanto qualquer conteúdo técnico. Duas marcas, dois públicos A Tetra Educação seguirá operando sua marca normalmente, com foco em desenvolvimento profissional e pós-graduação para gestores e profissionais de média liderança em compra individual e via PMEs. A Vincere é a marca dedicada exclusivamente ao mercado B2B enterprise. "São públicos e tickets diferentes. A Tetra continua atendendo o gestor individual e a empresa pequena e média. A Vincere é para a grande empresa que quer estruturar desenvolvimento em escala", afirma o fundador da Tetra. Para os próximos anos, a ambição é declarada: "Queremos transformar as principais empresas do país em universidades corporativas." O caminho começa pelas conversas que saíram do evento desta segunda-feira em São Paulo, um cartão de visitas que coloca, de saída, a Vincere na mesa de quem decide treinamento corporativo no Brasil.
Gustavo Borges e Tetra Educação lançam joint-venture para transformar empresas em universidades corporativas
Nova empresa nasce voltada ao mercado B2B em um momento em que a Inteligência Artificial obriga companhias a recapacitar times em velocidade inédita













