Em 11 de junho, quando a bola rolar em solo americano, o Brasil vai assistir à Copa do Mundo mais tecnológica da história. Não é exagero de assessoria de imprensa da Fifa, pelo menos por enquanto. PUBLICIDADEÉ uma mudança estrutural na forma como o futebol é jogado, arbitrado e consumido, e que vai acontecer em tempo real diante de 6 bilhões de espectadores ao redor do mundo. Como fundadora da DantIA, de tecnologia end-to-end via inteligência artificial, acompanho há anos as evoluções de entregar e aprimorar a velocidade de códigos e raramente vejo um evento de massa servir como vitrine tão precisa para o que a inteligência artificial pode fazer quando o erro humano tem consequência real, imediata e assistida por todo o planeta. Na Copa de 2026, a IA não vai estar por trás das câmeras. Vai estar no centro do gramado.O primeiro lugar onde você vai ver a diferença é na bola. A bola oficial da Copa de 2026, chamada Trionda, conta com um chip de inteligência artificial e um sensor de movimento de 500 Hz integrados. Esses dispositivos enviam, em tempo real, dados como posição, rotação e impacto do chute para a arbitragem. PublicidadeO cruzamento desses dados com sistemas de rastreamento ótico baseados em múltiplas câmeras permite a operação do impedimento semiautomático, que reduz o tempo de análise de lances e padroniza decisões. Quinhentos sinais por segundo. Para comparar: o olho humano processa imagens a aproximadamente 60 quadros por segundo em condições ideais. Leia outras colunas de Camila FaraniSam Altman quer mudar o sistema operacional do mundo. E o seu negócio está dentro deleNeymar abriu mão de € 62 milhões para ser convocado; chame de loucura ou de investimento estratégicoA bola inteligente envia dados oito vezes mais rápido do que o árbitro consegue ver. E envia para um sistema que não erra por cansaço, não se deixa influenciar pela pressão da torcida e não tem ângulo errado de visão. Genial! O segundo elemento é o rastreamento dos jogadores. O sistema de rastreamento da Fifa opera com 16 câmeras posicionadas sob a cobertura dos estádios, capazes de identificar 29 pontos do corpo de cada jogador até 50 vezes por segundo. Ao integrar essas informações com os sensores da bola, são gerados alertas quase imediatos para a arbitragem. Vinte e nove pontos do corpo de cada jogador, cinquenta vezes por segundo, em todos os jogadores de ambos os times simultaneamente. Isso significa que o sistema sabe, com precisão milimétrica, se o cotovelo de um atacante estava ou não em posição de impedimento no momento exato em que o companheiro tocou a bola. Esse nível de precisão acabou com a polêmica de impedimento. Não porque o sistema é perfeito, mas porque agora existe um dado verificável onde antes havia apenas opinião.PublicidadeMas a IA na Copa de 2026 vai muito além da arbitragem. A organizadora criou avatares digitais em 3D para todos os 1.248 jogadores inscritos. Cada atleta passou por escaneamento biométrico e físico de aproximadamente um segundo, capturando medidas corporais com precisão por meio de uma rede de câmeras e sensores de alta performance. Troinda, a bola oficial da Copa de 2026, conta com um chip de inteligência artificial e um sensor de movimento de 500 Hz integrados Foto: Adidas/DivulgaçãoCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEOs treinadores têm acesso a esses dados em tempo real, podendo consultar a inteligência artificial para embasar mudanças de formação ou substituições durante os jogos. Imagine Ancelotti no banco de reservas com acesso a um sistema que processa, em tempo real, os dados físicos e táticos de todos os 22 jogadores em campo. Não é uma impressão subjetiva de que o Neymar está cansado. Um dado objetivo de quantos sprints ele fez, qual é a variação da sua frequência cardíaca inferida pelo movimento e qual é a probabilidade de lesão se ele continuar em campo. Isso é o que a comissão técnica vai ter disponível nessa Copa.No centro dessa revolução está o sistema Football AI Pro, desenvolvido em parceria entre a Fifa e a Lenovo, que consegue processar centenas de milhões de pontos de dados por partida, desde padrões de pressão e movimentação até transições táticas. Centenas de milhões de pontos de dados por partida. Esse número é quase impossível de visualizar. Mas o que ele significa na prática é que, pela primeira vez na história do futebol, existe um sistema capaz de identificar padrões táticos que nenhum analista humano conseguiria detectar na velocidade e no volume necessários para influenciar uma decisão durante o jogo. Equipes que souberem usar essa informação vão ter vantagem competitiva real. Equipes que ignorarem vão descobrir na eliminatória o que perderam.PublicidadeO que me interessa como observadora de negócios e inovação não é a tecnologia em si. É o modelo de negócio que ela vai criar. A Fifa disponibilizou plataformas de IA de forma padronizada para todas as seleções participantes, com o objetivo de reduzir assimetrias de informação entre federações com estruturas muito distintas. Isso é notável. Federações pequenas, de países sem orçamento para departamento de análise de dados, vão ter acesso ao mesmo sistema que as potências. O campo foi nivelado tecnologicamente. O que vai continuar diferenciando não é o acesso à ferramenta. É a capacidade de usar a ferramenta. E essa capacidade depende de cultura organizacional, de pessoas treinadas e de liderança que confia em dados antes de confiar em intuição.Para o empresário brasileiro, a Copa de 2026 é uma aula ao vivo sobre a aplicação de IA em ambiente de alta pressão e alto erro. Toda empresa tem o equivalente do árbitro que erra por cansaço, da decisão tomada com informação incompleta, do padrão tático que o concorrente está usando e que ninguém na equipe identificou ainda. A diferença entre o futebol e o mundo corporativo é que no futebol o erro aparece no placar. No negócio, ele aparece na margem, no churn e no trimestre que não fecha. A tecnologia que vai mudar o futebol em junho é a mesma tecnologia que já está disponível para mudar o jeito que empresas tomam decisão. A questão é se a liderança vai esperar a Copa para entender o que podia ter aplicado antes.
Opinião | Copa de 2026 mostrará como a IA reduz erros. Prepare-se para nunca mais ver futebol da mesma forma
Com sensores na bola e rastreamento de jogadores, a precisão nas decisões promete acabar com polêmicas e padronizar o julgamento de lances críticos durante os jogos













