A dor crónica é bem conhecida dos portugueses e os seus impactos são muito relevantes. Interfere efectivamente no dia-a-dia das pessoas e pode estar associada à perda de emprego ou motivar pedidos de reforma antecipada. Estas foram algumas das conclusões de um trabalho desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde se traçou o retrato em Portugal: quase metade dos entrevistados disse que a dor crónica que experienciava interferia de forma moderada ou grave nas suas actividades domésticas e laborais, com 4% a atribuir a perda de trabalho à dor sentida.Mas o que é, afinal, a dor? E que tipos de dor existem? O que motiva a dor descrita pelos portugueses? Conheça as respostas, preparadas em colaboração com a Trifene, uma marca 100% portuguesa e criada por profissionais de saúde atentos à população portuguesa e às suas necessidades, com uma tripla acção: analgésica, antipirética e anti-inflamatória.O que é a dor?Em 2020, a International Association for the Study of Pain (IASP) reviu a definição de dor (actualizando a versão introduzida em 1979), descrevendo-a como "uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dores reais ou potenciais nos tecidos". Esta definição pretendeu descrever, de forma mais fiel, as nuances e a complexidade da dor.Dor aguda e crónica: quais as diferenças?A dor aguda é aquela que pode servir de alerta. "É um sinal de alarme que avisa da ocorrência de um traumatismo, uma queimadura, um derrame articular ou uma úlcera gástrica, por exemplo", explica a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED). Trata-se, nesse sentido, de um sintoma.Já a dor crónica é "definida como uma dor persistente ou recorrente durante pelo menos três a seis meses, que muitas vezes persiste para além da cura da lesão que lhe deu origem, ou que existe sem lesão aparente", segundo a APED.Dor crónica: de que se queixam os portugueses?Em 2008, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) publicou o primeiro estudo epidemiológico sobre a dor crónica em Portugal para o qual foram entrevistados mais de cinco mil portugueses com idades superiores a 18 anos de todo o país. Segundo este trabalho, entre as principais causas de dor relatadas pelos portugueses estavam as patologias osteoarticulares, em especial as lombalgias (as dores nas costas), que afectavam mais de 40% dos portugueses.Além destas, de acordo com o mesmo estudo, a osteoporose, os traumatismos, a artrite reumatóide e as cefaleias (dores de cabeça) também estavam na origem da dor crónica sentida pelos portugueses.Já de acordo com os resultados do primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico, realizado em 2015, as mulheres reportavam dor crónica com quase o dobro da frequência dos homens – 13,5% contra 7,4% nos homens.Cuidados com a automedicaçãoSegundo a Organização Mundial da Saúde, a automedicação corresponde à "selecção e utilização de medicamentos por indivíduos para tratar doenças ou sintomas por eles reconhecidos", e refere-se a situações em que há a "ausência de um profissional habilitado no diagnóstico da condição ou na supervisão do tratamento", assinala o relatório "Automedicação em Portugal: Práticas, Determinantes e Perfis Comportamentais", publicado pela Nova School of Economics (Nova SBE), da Universidade Nova de Lisboa.No retrato traçado neste relatório – cujo estudo se baseou num inquérito realizado a cerca de mil residentes em Portugal Continental com 15 ou mais anos – mais de metade dos inquiridos afirmou ter recorrido, em algum momento, à automedicação. Este fenómeno é mais prevalente no grupo etário dos indivíduos entre os 25 e os 34 anos: 66% dos inquiridos afirmou que se tinha automedicado pelo menos uma vez.Já entre as razões que levaram as pessoas a automedicar-se, a maioria dos inquiridos afirmou que, na última vez que se automedicou, o fez "por já ter enfrentado um problema semelhante no passado". A segunda razão (30,4%) "foi a existência, em casa, de medicamentos disponíveis para tratar a situação em causa, o que poderá igualmente reflectir experiências anteriores – do próprio inquirido ou de outros membros do agregado familiar", assinala o relatório da Nova SBE.Neste último caso, os investigadores expressam a sua preocupação pois o recurso a medicamentos que sobraram de utilizações anteriores pode incluir medicamentos sujeitos a receita médica, entre os quais antibióticos. "O uso indevido de antibióticos sobrantes – como tomar doses incorrectas, não completar o tratamento prescrito ou utilizá-los para condições inadequadas – contribui para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana". Na prática, a resistência aos antimicrobianos é a capacidade de um microrganismo sobreviver ou crescer na presença de um agente antimicrobiano que normalmente inibe ou mata esse microrganismo (tal como um antibiótico) e a má administração de fármacos contribui para tal.O mesmo relatório aponta ainda os riscos significativos da automedicação como erro de diagnóstico, dosagens inadequadas, interacções medicamentosas e, em alguns casos, dependência e adição.No entanto, há também que pesar as vantagens da prática: "Quando utilizada de forma mais adequada, a automedicação pode trazer benefícios relevantes: alívio rápido dos sintomas, menores custos, redução da pressão sobre os serviços de saúde e maior autonomia do doente", assinala o relatório da Nova SBE.Automedicação: o papel das farmáciasNeste processo, as farmácias "continuam a ser o local privilegiado para a obtenção de medicamentos" dos portugueses, mesmo em situações em que as pessoas recorrem à automedicação, o que evidencia "a fronteira difusa entre o autocuidado e o que alguns autores designam por 'automedicação orientada', em que o farmacêutico presta aconselhamento sem emitir uma prescrição", descreve o relatório. Assim, entre aqueles que, no relatório da Nova SBE diziam ter recorrido à automedicação, 59,2% afirmaram que, na ocasião mais recente, obtiveram o medicamento numa farmácia.