O Cupra Raval pode ser visto como um género de irmão mais radical do Volkswagen ID. Polo. Isto porque, apesar de estes dois carros partilharem as entranhas, o Cupra, como é apanágio da marca de Barcelona, tem um look bem mais desportivo. E não se pense que é apenas “fogo-de-vista”. Considerando a nossa primeira experiência ao volante deste eléctrico compacto, o Raval tem um comportamento ao nível do aspecto: é um carro que se agarra bem à estrada e é capaz de entusiasmar quem procura emoções fortes.Conduzimos a versão de topo, o VZ, que faz gala de extrair 166 kW (equivalentes a uns muito respeitáveis 226cv) e 290 Nm de binário do seu motor dianteiro. Construído sobre a nova plataforma MEB+ da Volkswagen, este modelo foi afinado através de uma receita puramente dinâmica: vias de rodagem alargadas em 10mm, centro de gravidade optimizado e uma suspensão adaptativa que o deixa 15 milímetros mais rente ao asfalto do que a arquitectura base da plataforma.Os desportivos compactos agora são eléctricosNa prática, a condução desfaz qualquer cepticismo em relação aos pocket-rockets movidos a bateria. O Raval atira-se às curvas com a agilidade felina de um clássico hatchback desportivo, despido daquela sensação de peso excessivo que costuma atormentar os veículos eléctricos de maiores dimensões. A direcção progressiva é precisa, transmitindo com fidelidade o que se passa sob as rodas com jantes de 19 polegadas, revestidas com os pneus mais largos do segmento, de 235mm. Parece-nos um concorrente de peso para o Renault 5 mais potente.Outro ponto de enorme destaque é o sistema de travagem, criado para não sentirmos a desagradável comutação entre a regeneração e a fricção mecânica de muitos eléctricos. Aqui a sensação é directa, firme e precisa. Além disso, o isolamento acústico surpreendeu pela positiva: o habitáculo permanece bem insonorizado, contando ainda com, no modo Cupra, uma assinatura sonora interior inspirada na Fórmula E. Percebemos que haja quem goste, mas, para este condutor, é só um pouco irritante.Ao entrarmos no habitáculo, o ambiente transborda agressividade visual, sobretudo nesta variante VZ. Os bancos, que parecem decalcados de um bólide de competição, oferecem um suporte lateral impecável e forçam-nos a adoptar uma posição de condução desportiva. O painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas, que nos pareceu um pouco “colado por cima de um tablier tradicional” é complementado por um ecrã central de infoentretenimento com 12,9 polegadas, cujo sistema operativo é baseado em Android.