O Brasil tem pouco a temer com o resultado do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping quando o assunto é agronegócio. Do lado americano, como sempre, muita conversa e pouca coisa para apresentar aos produtores do país. Do lado chinês, o costumeiro silêncio.

Os produtores americanos estão em uma enrascada por causa de Trump. Nos dois mandatos, o presidente, tentando tirar vantagens comerciais internacionais, acabou provocando uma desestruturação nas relações do agronegócio com o exterior. Tudo isso foi bom para o Brasil. Os americanos podem até ganhar mais mercado na China, mas sempre estarão à sombra dos brasileiros.

A virada de chave começou no primeiro mandato, quando Trump entrou em uma guerra comercial com Pequim. As exportações totais de agronegócio para os chineses, que giravam por volta dos US$ 29 bilhões por ano antes de Trump assumir, recuaram para US$ 13 bilhões em 2018, já em seu governo.A posição de Trump pôs o mercado chinês em alerta, e o Brasil passou a ser o grande parceiro, tanto em grãos como em carnes. No segundo mandato, o desastre é ainda maior. As exportações do agronegócio americano, que haviam atingido US$ 41 bilhões em 2022, no governo de Joe Biden, caíram para US$ 10 bilhões em 2025.