O futuro da segurança alimentar na China15º Plano Quinquenal coloca a agricultura como prioridade de segurança nacional. Crédito: Ariel Liborio (Edição)Gerando resumoBRASÍLIA - O governo brasileiro negocia com a China a flexibilização da cota de carne bovina ao Brasil isenta de sobretaxa e a abertura de novos mercado para produtos agropecuários brasileiros. Os temas estão na pauta da delegação brasileira no país asiático. O ministro da Agricultura, André de Paula, desembarcou ontem na China, onde participa da Sial China em Shangai, maior feira de alimentos da Ásia, e de reuniões bilaterais com as autoridades chinesas. A missão é acompanhada por representantes do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).Ministro da Agricultura, André de Paula, desembarcou ontem na China, onde participa da Sial China em Shangai, maior feira de alimentos da Ásia, e de reuniões bilaterais com as autoridades chinesas Foto: Wilton Junior/EstadãoPUBLICIDADEA China é hoje o principal destino das exportações de produtos agropecuários do Brasil, perfazendo cerca de um terço dos embarques anuais do agronegócio brasileiro. As vendas de produtos agropecuários ao mercado chinês somaram US$ 55,3 bilhões em 2025. Entre 2019 e 2025, a China deu aval à entrada de mais 12 produtos agropecuários brasileiros, incluindo carne de aves e derivados, DDG de milho (coproduto da indústria de etanol, utilizado na ração animal), farelo de amendoim, farinhas e óleos de origem animal e de pescado, gergelim, noz-pecã, pescado, sorgo e uvas.PublicidadeO governo quer ampliar a presença dos produtos do agronegócio brasileiro, identificar oportunidades de negócios e fortalecer a cooperação em temas sanitários e fitossanitários. Antes de embarcar à sua primeira missão internacional, De Paula disse ao Estadão/Broadcast que atende a um pedido do setor de estar presente na Sial China. “A presença do governo é um gesto importante, estando junto ao setor e apoiando-os. Além disso, terei reunião com a minha contraparte na China e objetivo é me apresentar, apresentar as minhas credenciais e seguir avançando nas conversas que já temos, em mensagem de continuidade da gestão”, disse De Paula.Leia maisFrigoríficos tentam blindar resultado do 2º semestre com alternativas ao esgotamento da cota chinesa‘Temos uma tempestade perfeita no agro com vários alertas piscando ao mesmo tempo’, diz ministroVamos conversar com União Europeia; qualidade da carne brasileira é inatacável, diz Mauro VieiraOntem, ele participou do Seminário Brasil-China de Agronegócio, que reuniu empresários e representantes dos setores público e privado dos dois países. “Esta é a primeira etapa da minha primeira viagem internacional à frente do Ministério, e a escolha da China não é por acaso. Trata-se do principal parceiro comercial do Brasil. Tivemos a oportunidade de aproximar importadores chineses e empresários brasileiros, fortalecendo o diálogo e criando novas oportunidades de negócios”, disse no evento. Na agenda ainda estão previstas reuniões com as contrapartes chinesas, incluindo encontros com Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, Ministério do Comércio (Mofcom) e Administração Geral de Alfândegas da China (GACC).PublicidadeUm dos principais focos da delegação oficial do governo e do setor privado é avançar na negociação para flexibilização da cota de carne bovina destinada ao Brasil sem incidência de sobretaxa no âmbito da salvaguarda chinesa imposta pelo país asiático sobre a carne bovina de vários produtores. De acordo com o governo chinês, o Brasil já utilizou 50% da cota de 1,106 milhão de toneladas de proteína vermelha que poderá ser exportada ao longo deste ano sem a incidência da sobretaxa de 55%. A quantidade é 600 mil toneladas inferior à embarcada pelo Brasil à China no último ano.O pleito do Brasil é pelo redirecionamento de volumes que tendem a não ser utilizados por outros fornecedores, estimado em 500 mil toneladas. “Desde a imposição da salvaguarda, em várias agendas formais, ressaltamos a disposição do Brasil, caso alguns países não consigam atender os volumes destinados pela China na cota global de 2,7 milhões de toneladas. O pedido é que volumes não utilizados sejam disponibilizados a países que tenham oferta”, explicou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.Um exemplo são os Estados Unidos que ainda não utilizaram a cota de 164 mil toneladas sem sobretaxa destinada à proteína americana. “Independentemente de os frigoríficos dos EUA terem sido reabilitados pela China, há questões de oferta nos Estados Unidos, sobretudo de cortes dianteiros, que limitam o cumprimento da cota”, apontou o secretário. PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEEle esclarece que a redistribuição das cotas geralmente ocorre ao fim dos nove meses de aplicação, com tempo hábil para importadores e exportadores concluírem vendas, embarque e desembaraço aduaneiro e alfandegário.O Brasil também vai reforçar os pedidos de medidas compensatórias para minimizar o impacto decorrente da salvaguarda à carne bovina, segundo o secretário. São elas: o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após o País ter obtido o status sanitário pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA); o reconhecimento do Brasil como país de risco insignificante para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), doença popularmente conhecida como “mal da vaca louca”; o aceite da regionalização para gripe aviária; a abertura do mercado chinês para miúdos bovinos, carne bovina com osso, miúdos suínos e miúdos de aves do Brasil - estes não estão contemplados na salvaguarda, e portanto, não seriam contabilizados na cota brasileira. As medidas foram apresentadas à China em janeiro deste ano e não há prazo para resposta do governo chinês.PublicidadeAlém das questões relacionadas diretamente à salvaguarda da carne bovina, a ampliação e abertura de novos mercados também estará presente nas discussões bilaterais. As tratativas para abertura da China para pedra de fel (cálculo da vesícula biliar de bovinos) do Brasil e para farinhas de proteínas animais estão avançadas do ponto de vista técnico, com possibilidade de anúncios, apurou o Broadcast Agro. A liberação chinesa para entrada da pedra de fel (um cálculo biliar que se forma na vesícula biliar de bovinos e que é utilizado para fins terapêuticos) é aguardada pelo setor produtivo brasileiro desde maio do ano passado. A expectativa foi renovada após missão das autoridades sanitárias asiáticas ao país em setembro. O produto é de interesse da indústria farmacêutica chinesa e de alto valor agregado, podendo chegar a US$ 200 mil por quilo.A pauta bilateral entre Brasil e China inclui mais de 50 itens em negociação no âmbito do setor agropecuário. A lista de pedidos brasileiros aos chineses inclui a abertura de mercado para carne bovina com osso, miúdos de aves, suínos e bovinos, farelo de amendoim, lima ácida, arroz, etanol. A sincronia na aprovação de transgênicos (biotecnologia) também integra a agenda. A revisão do protocolo de encefalopatia espongiforme bovina (EEB, doença popularmente conhecida como “mal da vaca louca”) e da regionalização da influenza aviária também estão em fase de discussão técnica. “O Brasil sempre esteve próximo da China, mas nunca esteve tão próximo como atualmente. É uma aproximação necessária e mutuamente salutar”, disse Rua.Publicidade