Vídeos alarmistas sobre a possível formação de um “super El Niño” inundaram as redes sociais nos últimos dias. O tom das publicações, porém, vai além do que a ciência permite afirmar neste momento. A avaliação é de Glauber Ferreira, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet.

Em entrevista a CartaCapital, Ferreira afirma que modelos internacionais indicam, de fato, a possibilidade de formação de um El Niño nos próximos meses. Mas ressalta que ainda não há segurança para cravar a intensidade do fenômeno, tampouco para falar em “super El Niño” — expressão que, segundo ele, não corresponde a uma categoria técnica.

“Não dá para cravar agora, neste exato momento, em maio de 2026, que teremos um El Niño muito forte”, afirma. “O El Niño nem se estabeleceu ainda e as pessoas já estão falando de ‘super El Niño’. Então está muito precipitado.”

O meteorologista explica que o período entre março e julho é uma fase de transição na modelagem climática, em que a previsibilidade tende a ser menor. Uma avaliação mais confiável sobre a força do fenômeno, diz ele, só deve surgir a partir de julho ou agosto.

Ferreira também critica o uso do tema por influenciadores sem formação na área. Para ele, há uma tentativa de “surfar na onda do pânico e do alarmismo” para obter audiência. Ao mesmo tempo, reconhece que o maior interesse público por clima pode ter um efeito positivo, desde que acompanhado de informação qualificada.