À medida que o ano avança, os sinais de alerta multiplicam-se. O Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) estima que há 61% de probabilidade de emergir um fenómeno El Niño em Maio-Julho de 2026. Os cientistas indicam ainda que o fenómeno deverá persistir, pelo menos, até ao final do ano.Alguns modelos climáticos, como os do Centro Nacional de Investigação Atmosférica (NCAR) norte-americano, vão mais longe. Nas palavras de Marc Alessi, investigador da organização sem fins lucrativos Union of Concerned Scientists (UCS), “alguns modelos climáticos, como os do NCAR, chegam mesmo a apontar para que este evento possa ser o fenómeno El Niño mais intenso alguma vez registado”.Se assim for, as temperaturas oceânicas na região poderão subir até 3 graus Celsius acima da média, quebrando recordes históricos.Numa resposta ao Azul, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a médio prazo (ECMWF, na sigla em inglês) adianta que “a previsão sazonal mais recente de Maio indica um sinal mais forte de aquecimento no Pacífico tropical, especialmente na região Niño 3.4 — uma das principais para monitorizar o ENSO —, aumentando a confiança no desenvolvimento de condições significativas de El Niño no final de 2026”, escreve a equipa do centro europeu.Ainda assim, acrescentam, “a intensidade do fenómeno permanece incerta: embora projecções de mais longo prazo, que se estendem até 13 meses, situem o evento no intervalo de episódios fortes como os de 1997/98 e 2015/16, não é garantido que esse nível de aquecimento seja atingido”.