O iraniano Morteza Nikkar, 40, e sua mulher, Zeynab Poursafavi, 37, estavam com o filho Mohammad Hassan, 9, rezando na mesquita em 6 de março, uma sexta-feira, quando ouviram uma explosão. O barulho foi muito alto, mas eles acharam que o ataque tinha sido em outra região da cidade.

Só quando estavam chegando perto de casa, à noite, cerca de uma hora depois, entenderam o que tinha acontecido.

Policiais iranianos bloqueavam o perímetro em volta do prédio onde eles moravam, no bairro de Lavizan, região nordeste de Teerã, onde há instalações militares. O quarto andar do edifício, onde ficava seu apartamento, havia sido bombardeado.

Zeynab estava grávida de 9 meses. "Eu só conseguia agradecer a Deus que estávamos todos bem e ninguém estava ferido", disse ela à Folha. "Não consegui pensar em mais nada."

Era a segunda semana da guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã. Naquele dia, segundo organizações de direitos humanos, houve 664 ataques em 28 províncias iranianas. Ao menos 25 pessoas morreram. Em Teerã foram alvejados o aeroporto de Mehrabad, de uso predominantemente militar, uma estação de polícia, uma unidade da Guarda Revolucionária e várias casas e prédios, entre eles o de Morteza e Zeynab.