Um ritmo de guerra terrivelmente familiar voltou para os iranianos — com rodovias bombardeadas e uma moeda em queda livre, publicações ameaçadoras nas redes sociais do presidente Donald Trump e retórica inflamada dos líderes clericais do Irã.

No entanto, quando Behnam, um músico desempregado em Teerã, liga para sua família ou amigos para saber como estão, ele nunca começa falando sobre a guerra. "A primeira pergunta que fazemos uns aos outros é: você já comeu?"

Como todos os iranianos entrevistados para esta reportagem, Behnam, 38, pediu que seu sobrenome não fosse divulgado por medo de represálias do regime iraniano. "Honestamente, chegou a um ponto em que só pensamos em sobreviver", disse ele.

Ficaram para trás os discursos motivacionais de parentes sobre encontrar um emprego, disse ele, enquanto o desemprego continua a disparar. Muitos iranianos engavetaram planos de reformar prédios ou reconstruir vidas devastadas pela guerra. Planejar o futuro parece um luxo absurdo quando amigos empobrecidos só conseguem comprar arroz em pequenas quantidades e quando os Estados Unidos e o Irã estão trocando ataques a instalações militares, portos e usinas de dessalinização de água pela região.

Por mais de um ano, os iranianos estão presos em um ciclo constante de ataques aéreos, repressão interna à segurança e devastação econômica. Um breve cessar-fogo alcançado no mês passado com os EUA trouxe algum alívio das bombas, embora não da economia em queda. O desmoronamento do acordo nas últimas semanas jogou o país de volta à guerra. Muitos iranianos ficaram com a sensação de que suas vidas estão em suspenso ou não lhes pertencem mais.