Engana-se quem acredita que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra está na bronca com o governo Lula (PT) apenas pelo baixo número de desapropriações nesta gestão petista, etapa essencial para dar andamento à reforma agrária.
Uma das críticas feitas pela direção do movimento vai além dos números e atinge um deslocamento político mais profundo: a perda de espaço do tema dentro do campo progressista. “A reforma agrária se transformou mais em uma pauta do conflito, do problema, do que numa pauta da solução. Houve uma criminalização por parte da direita e houve um recuo por parte da esquerda em defender a reforma agrária”, afirma o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, em entrevista a CartaCapital.
A avaliação ajuda a explicar por que, mesmo reconhecendo avanços do governo em outras áreas, os sem-terra sobem o tom quando o assunto é o campo. “O governo Lula fez um esforço muito grande para recuperar as políticas públicas desmontadas no governo Bolsonaro. Mas, no nosso caso, o agrário, a situação é mais grave”, pondera Rodrigues, que recebeu a reportagem durante uma breve passagem por Aracaju, na quarta-feira 15.
Em uma conta otimista, o dirigente afirma que cerca de 10 mil famílias foram assentadas desde que Lula retornou ao governo, em 2023 – uma média de 2,5 mil por ano. O patamar, segundo ele, é “nada” e se aproxima (ou até fica abaixo) do registrado nos poucos mais de dois anos da gestão Michel Temer. A título de comparação, o tucano Fernando Henrique Cardoso assentou 80 mil famílias apenas em 1998. Em 2005, quando o petista encerrava seu primeiro mandato, foram aproximadamente 50 mil.






