SPIW aproxima jovens do agronegócio fora da bolha do setor, diz Teresa VendraminiColunista do Estadão também destaca a falta de apoio entre mulheres no agro e defende recuperação de áreas de pastagem degradadas. Gerando resumoEm um momento crítico para o agronegócio brasileiro, a segurança alimentar deixa de ser tema comercial para se tornar uma estratégia de Estado, comparável à defesa nacional. É isso que defende Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, maior processadora de proteína animal do mundo. “Mesmo países que não são produtivos querem produzir seu próprio alimento”, observa. PUBLICIDADEÀ frente de uma das maiores empresas do País, Tomazoni subiu no palco do São Paulo Innovation Week, nesta sexta-feira, 15, para debater como a nova ordem global está redesenhando as regras do comércio internacional. “Observamos um maior consumo de proteína ao mesmo tempo que vemos o risco de insegurança alimentar. A diversificação na produção é uma necessidade”. PublicidadeO painel Geopolítica, Mercados e Poder: O Novo Jogo do Agro Brasileiro foi mediado pelo professor Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global e colunista do Estadão. Além de Tomazoni, estiveram presentes o deputado federal Arnaldo Jardim e o country manager da Mosaic Fertilizantes no Brasil e no Paraguai, Eduardo Monteiro. Os fertilizantes sofrem impacto direto de guerras porque a produção e a distribuição global dependem de poucos países exportadores. E muitos deles estão em regiões geopolíticas sensíveis. “Este é o momento mais crítico para o agronegócio das últimas três décadas”, afirma Monteiro. “A indústria de fertilizantes nunca se deparou com uma situação de ruptura de fluxos logísticos como agora”, diz Monteiro.No painel “Geopolítica, mercados e poder: O novo jogo do agro brasileiro”, representantes do segmento apontam desafios, mas indicam que mercado brasileiro tem soluções Foto: Taba Benedicto/ Estadão“Se o conflito acabasse hoje, ainda precisaríamos recuperar 10 semanas de atraso. Do ponto de vista pragmático, é difícil indicar se teremos toda essa disponibilidade”, afirma o executivo, ao reforçar o receio de um cenário de insegurança alimentar global. PublicidadeNo entanto, segundo ele, o agricultor brasileiro está desenvolvendo estratégias para tentar mitigar esses desafios. Risco global e otimismo localÉ importante que o Brasil comece a encarar a indústria nacional de fertilizantes de forma diferente, defende Monteiro. “É preciso existir um marco regulatório e facilidade na emissão de dispensas. É um setor de capital intensivo, precisamos ter capacidade para investir”, observa. Apesar de enumerar os desafios e transparecer o receio do ambiente geopolítico para o agronegócio, o tom do painel foi de otimismo. Os especialistas indicaram aspectos como o interesse maior dos agricultores por agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos. Também há uma expectativa de que o segmento avance no mercado de crédito e carbono. PublicidadeLeia tambémExecutivos avaliam o impacto da guerra e da alta no preço de fertilizantes no mercado de bioinsumosAgro brasileiro enfrenta ‘crise de vulnerabilidade’, mas especialistas mantêm otimismoPUBLICIDADE“Todo mundo quer proteger o mercado interno para ter uma produção própria (de carne). Porém, o que vemos é uma demanda global vinda de vários países”, contextualiza Tomazoni, da JBS. Mesmo o avanço das canetas emagrecedores é vista com bons olhos pelo executivo. “A proteína é necessária para a qualidade de vida e para quem está envelhecendo”, diz o CEO. Ele ainda destaca soluções para melhorar a produtividade nacional, como um avanço no sistema de integração da lavoura, floresta e pecuária. “As tarifas não vão acabar, mas podemos nos posicionar, não só como um país exportador, mas como uma plataforma que exporta tecnologias, realiza parcerias e se integra ao mercado mundial.” Segurança jurídicaQuestionado por Jank sobre os riscos de insegurança jurídica que o Brasil pode oferecer, o deputado federal Arnaldo Jardim admitiu estar cansado de ver conflitos entre os poderes e criticou as decisões do Supremo Tribunal Federal. Porém, ele enfatiza que o Brasil respeita as instituições como nem os Estados Unidos conseguem fazer.PublicidadeDeputado federal Arnaldo Jardim é o relator do PL 2.780/2024, que institui o marco regulatório dos minerais críticos e estratégicos no Brasil Foto: Taba Benedicto/ Estadão“A lei de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) existe há 30 anos, é uma das maiores do mundo e nenhum contrato nunca foi rasgado. Mesmo com a alternância de governos e diferentes ideologias no poder”, observa. Para corroborar essa perspectiva, ele citou a aprovação recente do marco regulatório de minerais críticos e estratégicos. Aprovado na última semana, o projeto de lei cria regras e políticas públicas para organizar a exploração, produção, processamento e comercialização de minerais considerados essenciais para a economia e para a segurança nacional, como lítio, níquel e até elementos usados para fabricação de fertilizantes. “Do PL ao PT, todos aprovaram. Mesmo em um ambiente de extrema polarização, isso indica a capacidade do País de criar políticas públicas duradouras”, comenta. PublicidadeO São Paulo Innovation Week, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, encerra sua programação no Pacaembu e na Faap nesta sexta-feira, 15, e segue para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) ao longo do fim de semana. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar).
Insegurança alimentar e energética são desafios centrais do Brasil, afirmam representantes do agro
Guerra, fertilizantes e tarifas redesenham o jogo do agro brasileiro em meio a crise geopolítica global, apontaram os painelistas no São Paulo Innovation Week














