É muito comum ler notícias sobre projetos ou discursos de políticos em ano eleitoral abordando a fome com absoluta certeza do que está acontecendo e do que precisa ser feito. Convido o leitor a refletir: se houvesse uma única iniciativa capaz de eliminar a fome, a quem interessaria manter esse estado de insegurança alimentar? Bastaria acionar a suposta ferramenta para que, em alguns anos, os brasileiros estivessem entre os cidadãos mais bem nutridos do planeta.

Infelizmente, a palavra fome é usada por muitos apenas como bandeira eleitoral, não importa o viés político de quem empunha o mastro.

A primeira pergunta a ser feita a esses candidatos é: qual o percentual de brasileiros que enfrentam diariamente a face mais cruel da insegurança alimentar? Desconfie de quem usa números de forma aleatória, sem qualquer vínculo com a realidade. Não se faz política pública com base no achismo ou inflando dados — é preciso trabalhar com estatísticas confiáveis, capazes de demonstrar o diagnóstico real de cada região deste país continental.

O primeiro passo é compreender que insegurança alimentar não significa apenas fome. Trata-se de um quadro amplo que vai desde a completa ausência de acesso a alimentos até a obesidade passando por várias camadas que precisam ser compreendidas para que as soluções apresentadas sejam realmente eficazes.