Embora a França negue se tratar de um novo 'guarda-chuva nuclear', proposta é uma resposta às incertezas quanto ao futuro da segurança na Europa, ligadas à Rússia e a Donald Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidentes da França, Emmanuel Macron (E), e da Finlândia, Alexander Stubb, no Palácio do Eliseu — Foto: LUDOVIC MARIN/AFP A Finlândia confirmou nesta segunda-feira a adesão a uma iniciativa de dissuasão nuclear regional, liderada pela França, afirmando que a proposta “reforça a responsabilidade da Europa pela sua própria defesa e ajuda a prevenir uma escalada”. Embora as declarações feitas no Palácio do Eliseu não tenham mencionado ameaças, o anúncio reflete a preocupação crescente dos países europeus com a agressividade da Rússia e também com a postura hesitante dos EUA sobre seu compromisso com a defesa do continente. Segundo o comunicado, a Finlândia afirma que a decisão “constitui um passo importante para a segurança europeia e para a cooperação bilateral”, e que “fortalecerá a parceria entre as duas nações e oferecerá oportunidades para a sinalização estratégica, bem como a capacidade de gerir a escalada abaixo do limiar nuclear”. Em publicação na rede social X, o presidente finlandês, Alexander Stubb, disse ainda que a iniciativa “reforça a responsabilidade da Europa por sua própria defesa e ajuda a prevenir escaladas”. A antiga ideia de usar o arsenal nuclear francês como ferramenta de defesa coletiva foi retomada com força no ano passado pelo presidente Emmanuel Macron. Em março, ele lançou a Iniciativa de Dissuasão Nuclear Avançada, nome oficial do plano, destacando que diante dos “tempos conturbados que vivemos, também será necessário repensar as regras que regem a segurança do nosso continente e do mundo”. Até o momento, 10 governos aderiram, em algum grau, contando com a Finlândia. De acordo com a Associação para o Controle de Armas, uma organização baseada nos EUA dedicada à promoção de políticas para arsenais, a França tem hoje cerca de 370 ogivas, desenvolvidas internamente. Um número considerável, mas aquém dos ostentados por Rússia, 5.420, e Estados Unidos, 5.042, incluindo ogivas operacionais, armazenadas e que aguardam desmantelamento. Ao contrário de mecanismos de defesa como o Artigo 5º da Otan, que trata um ataque contra um de seus membros como um ataque a todos, a iniciativa francesa não tenta ser um “guarda-chuva nuclear”, como os oferecidos por EUA e Rússia. Não há, por exemplo, a previsão de posicionamento permanente de ogivas em outros países — algo ressaltado por Stubb nesta segunda-feira —, mas sim a ênfase em treinamentos conjuntos e planos de contingência para o pior dos cenários, uma guerra total contra um adversário nuclear. — A próxima metade do século será uma era de armas nucleares. A França, determinada, livre e confiante, desempenhará plenamente o seu papel. Ela continuará a se fortalecer e, em seu próprio benefício, ligará este promontório no Oceano Atlântico ao coração da Europa — declarou Macron em março. — No passado, quando a França fez sinalizações (sobre a extensão da proteção nuclear), outros países relutaram em responder. Eles não queriam passar a impressão de que não depositavam total confiança nos EUA e na Otan — disse Pierre Haroche, da Universidade Católica de Lille, ouvido pela rede BBC em 2025. — Não é que os americanos estejam falando em retirar sua dissuasão nuclear, que fique claro: isso não parece estar em pauta no momento. Mas a credibilidade da dissuasão nuclear dos EUA não é mais a mesma. O cenário complexo quando um velho rival, a Rússia, retomou uma agressividade vista em outros tempos de crise no continente europeu. A invasão da Ucrânia, em 2022, não produziu os resultados que o Kremlin esperava, e levou a uma onda de solidariedade dos países da região com Kiev, em termos políticos e militares. Mas com a guerra em seu quinto ano, sem chances concretas de um acordo a curto prazo, analistas temem que Vladimir Putin lance um ataque direto a algum país da Otan nos próximos anos, de forma a testar a coesão da aliança militar. O uso de mísseis balísticos em território ucraniano e as recorrentes ameaças nucleares vindas de Moscou já não são tratados como mera retórica. A afeição de Trump pelo longevo líder tampouco acalma nervos de Lisboa a Bucareste. — Assim como a França cria novos dilemas estratégicos para os adversários da Europa por meio da dissuasão avançada, nossos parceiros contribuem, em contrapartida, para a segurança coletiva e, consequentemente, para a segurança da França — disse Macron, em março. — Essa é a própria natureza do apoio mútuo entre capacidades nucleares e convencionais.
Finlândia adere à iniciativa francesa de dissuasão nuclear e líderes falam em 'responsabilidade' sobre defesa europeia
Embora a França negue se tratar de um novo 'guarda-chuva nuclear', proposta é uma resposta às incertezas quanto ao futuro da segurança na Europa, ligadas à Rússia e a Donald Trump











