0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump e Xi Jinping durante cúpula na Coreia do Sul em 2025 — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir que seu governo não impediria empresas chinesas de produzir carros em território americano, mesmo diante de alertas da indústria automobilística e de autoridades em Washington contra a entrada dessas companhias no país. “Agora, se a China quisesse vir para cá e abrir uma fábrica para produzir seus carros, eu não teria problema com isso”, disse Trump em entrevista à Fox News na semana passada. “O Japão faz isso, mas contrata nosso pessoal”, afirmou. “O mais importante é que eles contratam nosso pessoal.” A declaração ecoa um comentário semelhante feito por Trump em janeiro e ocorre enquanto ele se prepara para conversar pessoalmente com o presidente chinês, Xi Jinping, ainda neste ano. Restrições à importação de software chinês e tarifas de mais de 100% que entraram em vigor durante o governo de Joe Biden, na prática, fecharam o mercado americano aos carros chineses. Com os preços dos veículos novos em forte alta, a possibilidade de uma entrada de automóveis chineses mais baratos vem gerando preocupação na indústria e entre parlamentares. A Alliance for Automotive Innovation, que reúne General Motors, Toyota Motor e outras grandes montadoras, pediu ao Congresso no início deste mês que aprove uma lei para proibir a venda, a produção e a importação de veículos conectados chineses nos Estados Unidos. Elissa Slotkin, senadora democrata por Michigan, publicou nas redes sociais no início deste mês que havia rumores, antes da cúpula entre Estados Unidos e China, de que Trump estaria considerando abrir o mercado americano aos carros chineses. Trump, republicano, posteriormente classificou a informação como um “rumor totalmente falso”. Também no início deste mês, o secretário de Transportes, Sean Duffy, disse em uma carta ao CEO da Ford, Jim Farley, ter “profunda preocupação” com as parcerias da montadora americana com empresas chinesas. A Ford utiliza tecnologia licenciada de baterias da Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. (CATL) em uma fábrica de veículos em Michigan e anunciou um acordo para formar uma joint venture com a Geely Automobile Holdings na Espanha. “Quando uma empresa escolhe deliberadamente aprofundar sua dependência operacional de concorrentes estratégicos, deixa de atuar como a parceira confiável que o público americano e este Departamento de Transportes exigem”, escreveu Duffy, referindo-se ao órgão que comanda. A Ford contestou a carta de Duffy, afirmando que ela “contém erros factuais”. Apesar das críticas, muitos analistas acreditam que as montadoras chinesas teriam dificuldade para construir nos Estados Unidos cadeias de fornecimento capazes de competir em custos. “É extremamente difícil produzir em todo o território americano com o mesmo custo da China”, disse um executivo de uma fabricante chinesa de componentes eletrônicos com unidade nos Estados Unidos. Ainda assim, os carros chineses poderiam ampliar sua presença na América do Norte por meio do México e do Canadá. Segundo um acordo anunciado em janeiro, o governo canadense reduziu parcialmente uma tarifa adicional de 100% sobre veículos elétricos fabricados na China e passou a permitir a importação de até 49 mil unidades por ano com a tarifa de nação mais favorecida, de 6,1%. Acredita-se que a BYD pretenda começar a vender carros de passeio no Canadá em 2026. Trump ameaçou elevar de 25% para 50% a tarifa adicional atualmente aplicada a carros, caminhões e peças automotivas fabricados no Canadá, a partir de janeiro de 2027.
Trump deixa porta aberta para montadoras chinesas antes de encontro com Xi Jinping
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