Uma das grandes polêmicas do Festival de Veneza deste ano foi a escolha de apenas um filme com direção solo de uma mulher a participar da disputa pelo prêmio principal. Pois, entre os 21 longas da disputa, foi justamente ele, o dinamarquês "Woman Unknown", de May el-Thouky, o eleito para levar o Leão de Ouro, pelo júri presidido pela atriz americana Maggie Gyllenhaal.
Mais que um reconhecimento estético, o prêmio é claramente uma tomada de posição —não há o que explique por que mulheres ainda hoje tenham tão mais dificuldades de participar de festivais do que cineastas homens, nos diz o júri com a premiação. E, com isso, vai na contramão do diretor do evento, Alberto Barbera, que disse que Veneza só escolhe filmes pelo seu valor estético.
No caso de "Woman Unknown", a inclusão na disputa atendeu tanto a representatividade feminina quanto ao critério de qualidade fílmica: é um longa que merecia, de fato, sair do Lido com prêmios. A trama aborda a história de uma mulher de origens proletárias, que se casa com o antigo patrão.
Mas seu conforto material é ameaçado depois que um rapaz lhe diz que vai revelar seu grande segredo do passado: durante a Segunda Guerra, ela teve um romance com um nazista, e, com o fim da ocupação alemã, caso a verdade venha à tona, seu casamento pode acabar —e ela corre sério risco de ser levada à praça pública, tendo seus cabelos raspados diante de todo mundo, como forma de punição.











