A vitória histórica do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições da Saxônia-Anhalt revelou um grupo de novos deputados com históricos controversos. Entre os 39 eleitos estão um ex-agente da Stasi, a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, um ex-ator de filmes pornográficos e parlamentares investigados por supostas ligações com organizações neonazistas. Os novos deputados foram apresentados na quinta-feira (10), em Magdeburgo, pelo principal candidato da AfD, Ulrich Siegmund. O ex-agente da Stasi tem 78 anos e admitiu ter trabalhado para o Ministério da Segurança do Estado da Alemanha Oriental, acompanhando cidadãos que pretendiam deixar permanentemente o país. A eleição dele foi criticada por grupos que representam vítimas da antiga ditadura. Outro eleito foi condenado por furtar grandes quantidades de roupas de cama de um hotel, trabalhou como ator de filmes pornográficos e, segundo o jornal alemão Die Zeit, ele também foi expulso de uma universidade após falsificar seu certificado de conclusão do ensino médio. O político afirma que foi readmitido após recorrer da decisão. Dois dos novos deputados são investigados por suspeita de tentar manter as atividades da Artgemeinschaft, organização extremista de direita proibida pelas autoridades alemãs que defendia ideias nacionalistas e antissemitas. Ambos negam as acusações. Questionado sobre os parlamentares investigados, Siegmund brincou ao chamá-los de "os caras maus". "Vamos esperar os resultados das investigações e depois discutir", afirmou. VEJA TAMBÉM Os membros recém-eleitos do AfD para o parlamento da Saxônia-Anhalt. — Foto: Karina Hessland/Reuters A vitória da AfD A votação representa a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema direita chega tão perto de assumir o governo de um estado alemão. A vitória nas urnas, no entanto, não garante à AD o comando do governo estadual. A legenda ainda depende da composição do Parlamento para saber se terá maioria suficiente para governar. Por isso, o resultado também não significa que Ulrich Siegmund, líder da AfD no estado, será ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador no Brasil. Agora no g1