Oleoduto tem capacidade para transportar até 7 milhões de barris por dia do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho e é alternativa ao tráfego pelo estreito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navios navegam próximos ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo; ameaças dos houthis elevam tensão sobre alternativa no Mar Vermelho — Foto: Tomas Munita/The New York Times A Arábia Saudita fechou o oleoduto Leste-Oeste, uma importante alternativa ao Estreito de Ormuz para suas exportações de petróleo, após ataques com vários drones lançados do Iraque na manhã de quinta-feira. O Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou, nesta sexta-feira, que os ataques, que deixaram vários feridos e causaram danos à estrutura, estão sendo investigados e reparados. O oleoduto foi fechado como medida de precaução, informou anteriormente o Ministério da Energia. Equipes de emergência foram mobilizadas para proteger a estrutura e avaliar suas condições de segurança. A pedido do primeiro-ministro iraquiano, Ali al Zaidi, Riad “optou por não responder neste momento e apoiar os esforços do governo iraquiano (...) para impedir ataques lançados a partir do Iraque contra o reino e países vizinhos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores saudita. Ele ressaltou, porém, que a Arábia Saudita “se reserva o direito de tomar todas as medidas necessárias para proteger sua soberania, sua segurança e suas instalações”. O governo do Iraque condenou os ataques e afirmou que rejeita qualquer agressão que ameace a segurança e a estabilidade da Arábia Saudita. O gabinete do premier iraquiano informou que ele ordenou a abertura de “uma investigação sobre as circunstâncias dessas agressões (...) e a adoção de medidas legais contra qualquer pessoa cuja participação seja comprovada”. Rota alternativa O oleoduto Leste-Oeste se tornou uma via essencial para as exportações de petróleo sauditas em meio às interrupções provocadas pela guerra com o Irã. Com capacidade para transportar até 7 milhões de barris por dia, a estrutura atingiu rapidamente sua capacidade máxima no início deste ano, depois que o tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz chegou perto de uma paralisação. Estreito de Ormuz e Oleoduto Leste-Oeste — Foto: Editoria de Arte / O Globo A estrutura transporta petróleo do Golfo Pérsico em direção ao Mar Vermelho, onde a carga pode ser transferida para navios-tanque. A rota, porém, também vem sofrendo pressão nas últimas semanas devido aos ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen. — (Os ataques de quinta-feira são) uma demonstração bastante clara de que tanto o Irã quanto seus aliados têm capacidade e disposição para atacar a infraestrutura energética regional, e de que essa infraestrutura é vulnerável a ataques com mísseis balísticos ou drones — afirma Gregory Brew, analista geopolítico do Eurasia Group. Pressão sobre o petróleo Os preços do petróleo pouco se alteraram após a declaração do Ministério da Energia, com os contratos futuros do Brent sendo negociados em torno de US$ 105 (cerca de R$ 537, na cotação atual) por barril. A referência chegou perto de US$ 110 (R$ 563) na quinta-feira, diante de especulações sobre o impacto da nova onda de violência sobre o fornecimento de energia na região. — O tamanho da interrupção já foi precificado — diz Brew. As exportações de petróleo da Arábia Saudita caíram para cerca de 3 milhões de barris por dia em agosto, o menor nível registrado desde o início de 2017, à medida que navios passaram a ser alvo de ataques dos Houthis no Mar Vermelho. A ameaça ocorre enquanto o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua limitado. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos carregamentos a partir de portos iranianos, enquanto Teerã continua atacando embarcações na região Cerca de 1 milhão de barris por dia de derivados de petróleo está sendo transportado pela hidrovia, segundo executivos do setor e dados da agência de monitoramento de navios-tanque Vortexa. Antes da guerra, eram cerca de 4 milhões de barris por dia Como consequência, não são apenas os preços do petróleo que estão subindo. Os preços dos combustíveis também permanecem elevados. O preço médio da gasolina nos EUA está acima de US$ 4 (R$ 20,4) por galão, enquanto o diesel chegou a um recorde de US$ 6 (R$ 30,7) por galão. Várias reservas que ajudaram a amortecer os efeitos sobre o abastecimento de energia nos primeiros dias da guerra estão diminuindo. Os estoques de petróleo dos EUA despencaram, enquanto a maior parte das reservas emergenciais liberadas pelos governos já chegou ao mercado. Avanço Houthi A tensão sobre as rotas de exportação sauditas ocorre enquanto as forças Houthis avançaram para o sul pela costa do Iêmen no Mar Vermelho em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb nesta semana. O grupo também continua realizando ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita, obrigando o país a interromper operações em algumas instalações de energia. O avanço coloca o reino diante de uma escolha difícil: intensificar uma campanha militar que há anos não consegue derrotar os Houthis ou aceitar uma influência maior do grupo sobre o Mar Vermelho. — Riad está em uma posição difícil — explica Fernando Ferreira, analista do Rapidan Energy Group. — Enquanto os EUA mantiverem o bloqueio e conseguirem escoltar mais navios-tanque para fora da região, o Irã vai se voltar para um aumento dos ataques contra instalações de energia do Golfo. (Com Bloomberg e AFP)