Os países produtores de petróleo do Oriente Médio estão buscando expandir a capacidade de seus oleodutos para fortalecer rotas alternativas de transporte, tentando contornar o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz. A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC), dos Emirados Árabes Unidos, pretende iniciar a operação de um oleoduto que ligará seus campos de petróleo ocidentais ao porto oriental de Fujairah, no Golfo de Omã, em 2027. O país já possui um oleoduto que cobre a mesma rota, com capacidade de 1,5 milhão a 1,8 milhão de barris por dia, e espera-se que o novo oleoduto dobre essa capacidade. Para os Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Opep (organização dos produtores) em 1º de maio, o novo oleoduto tem um significado que vai além de simplesmente contornar o estreito. Ele permitirá que o país controle sua própria produção e fornecimento de petróleo bruto, enquanto busca substituir a Arábia Saudita como principal produtor de petróleo do Oriente Médio. O novo oleoduto está "quase 50% concluído", afirmou o executivo-chefe (CEO) da ADNOC, Sultan Ahmed Al Jaber, em 20 de maio. O Iraque também anunciou recentemente o início da construção de um oleoduto com capacidade para 2,5 milhões de barris por dia, que ligará Basra, no sudeste, a Haditha, no oeste. As exportações estão planejadas por diversas rotas, incluindo o porto jordaniano de Aqaba, no Mar Vermelho, e o porto sírio de Baniyas, no Mar Mediterrâneo, segundo uma agência de notícias estatal. Um oleoduto já existente, que liga o campo petrolífero de Kirkuk, no norte do Iraque, ao porto de Ceyhan, na Turquia, também deverá ter sua capacidade aumentada, passando dos atuais 200 mil barris por dia para cerca de 500 mil barris por dia. As exportações iraquianas pelo Estreito de Ormuz estão bloqueadas, e sua produção de petróleo bruto representa apenas cerca de 30% do que era antes do início da guerra, tornando a expansão de uma rota alternativa crucial. O Estreito de Ormuz, que em tempos de paz recebe o transporte de aproximadamente 15 milhões de barris de petróleo bruto por dia, representando 20% da demanda global, foi efetivamente bloqueado pelo Irã após os Estados Unidos e Israel iniciarem a guerra contra o país em 28 de fevereiro deste ano. A Arábia Saudita, maior produtora de petróleo do Golfo, agiu rapidamente para garantir rotas alternativas, aumentando a capacidade de seu oleoduto que liga os campos de petróleo do leste ao Mar Vermelho, no oeste, para o nível máximo de 7 milhões de barris por dia. Antes do conflito, transportava apenas cerca de 2 milhões de barris por dia, deixando uma capacidade excedente de 5 milhões de barris, que o país utilizou após o início da guerra. Contornar o Estreito de Ormuz com oleodutos apresenta desafios, incluindo limitações de volume. Mesmo que os novos oleodutos dos Emirados Árabes Unidos e do Iraque comecem a operar conforme planejado, eles seriam capazes de suprir apenas um pouco mais de 20% do petróleo bruto que flui pelo estreito em tempos de paz. Mesmo considerando o aumento da capacidade do oleoduto da Arábia Saudita, a quantidade de petróleo que fluiria por esses canais ainda não seria suficiente para compensar o fechamento do estreito. Novos ataques e problemas financeiros também são motivo de preocupação. Um oleoduto saudita e uma instalação petrolífera em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, foram atacados pelo Irã em abril e maio, respectivamente. O Irã afirma que seu controle sobre o Estreito de Ormuz se estende até Fujairah. Instalações nos Emirados Árabes Unidos, cujas relações com o Irã são particularmente tensas entre os países do Golfo, podem ser alvos novamente. O Iraque enfrenta possíveis atrasos na construção de seu oleoduto devido a problemas financeiros. O país já investiu US$ 1,5 bilhão, mas afirma que a conclusão depende da obtenção de recursos adicionais, incluindo assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os diferentes interesses dos países do Golfo também complicam o desenvolvimento de rotas alternativas. Um oleoduto de longa distância proposto, que ligaria o Iraque ao porto de Duqm, em Omã, passando pela Arábia Saudita, provavelmente enfrentará a oposição do governo saudita, que se mostra cauteloso com a influência estrangeira. A guerra com o Irã evidenciou os riscos de se depender de rotas específicas para o fornecimento de recursos. O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, disse à CNBC em abril que se sentia como um "disco riscado", depois de passar anos alertando os países sobre a necessidade de diversificar as rotas de abastecimento de energia.
Emirados Árabes Unidos e Iraque investem em oleodutos para contornar Estreito de Ormuz
Emirados Árabes Unidos e Iraque investem em oleodutos para contornar Estreito de Ormuz










