0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oleoduto na Arábia Saudita — Foto: Bloomberg Enquanto o Japão se prepara para apoiar os esforços da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos para expandir rotas alternativas de exportação de petróleo bruto — devido ao fechamento prolongado do Estreito de Ormuz —, países produtores que enfrentam desafios ainda maiores, como Iraque, Kuwait e Qatar, também podem representar oportunidades únicas. Em julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos revelou um plano para reformar um oleoduto que liga o centro do Iraque a Baniyas, na Síria; isso permitiria que o petróleo bruto iraquiano chegasse ao Mediterrâneo sem passar pelo Estreito de Ormuz. A gigante petrolífera americana Chevron estaria participando de um estudo de viabilidade. O Iraque, que produz mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia, é o segundo maior produtor da Opep, atrás apenas da Arábia Saudita. Localizado na extremidade norte do Golfo Pérsico, o país exporta petróleo bruto de seus gigantescos campos petrolíferos do sul através do Estreito de Ormuz. O oleoduto Iraque-Síria tem estado à mercê da geopolítica há décadas. Concluído na década de 1950, foi desativado em 1982 após a deterioração das relações entre os dois países. Embora parcialmente restaurado posteriormente, foi paralisado novamente em 2003, durante a Guerra do Iraque, e permaneceu fechado por mais de duas décadas devido à subsequente guerra civil e à instabilidade na Síria. Em 24 de agosto, os Estados Unidos removeram a Síria de sua lista de Estados patrocinadores do terrorismo, uma designação que vigorava há quase meio século. O Iraque também estuda ampliar o uso de um oleoduto existente que transporta petróleo bruto dos campos do norte para Ceyhan, no sul da Turquia, bem como uma rota proposta separada para Aqaba, no sul da Jordânia. Enquanto o Iraque dispõe de várias opções, o Kuwait — que não possui oleodutos de desvio como os operados pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos — enfrenta uma situação mais difícil. O ministro do Petróleo, Tariq Sulaiman Al-Roumi, declarou recentemente que, enquanto o estreito permanecer fechado, as exportações serão nulas. O Kuwait busca uma solução por meio da cooperação com países vizinhos. O país analisa a possibilidade de se conectar ao oleoduto da Arábia Saudita que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, bem como ao sistema de oleodutos dos Emirados Árabes Unidos, que conecta o Golfo a pontos de escoamento situados além do estreito. O Qatar, cujas exportações são mais voltadas para o gás natural do que para o petróleo, enfrenta uma situação ainda mais crítica. O país abriga o maior complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, e todas as suas exportações passam pelo Estreito de Ormuz. Desde o início do conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã, em fevereiro, as exportações praticamente paralisaram, gerando preocupações quanto a uma interrupção prolongada nos mercados globais de energia. A estatal QatarEnergy adquiriu, no mercado “spot”, um volume de GNL dos Estados Unidos equivalente à carga de 33 navios-tanque para cumprir compromissos de fornecimento com clientes no Japão e na Coreia do Sul, segundo a Reuters. Sem uma rota de exportação alternativa viável, restaurar a navegação segura pelo Estreito de Ormuz tornou-se a principal prioridade do Qatar. O país assumiu um papel de destaque nos esforços de mediação entre Washington e Teerã. Os Emirados Árabes Unidos começaram a expandir o oleoduto existente que transporta petróleo bruto de uma região próxima a Abu Dhabi até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã — localizado fora do Estreito de Ormuz. Da mesma forma, a Arábia Saudita planeja expandir seu oleoduto Leste-Oeste, que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho. Para o Japão, que importa mais de 80% de seu petróleo bruto desses dois países, tais projetos são de grande importância estratégica. Enquanto isso, Iraque, Kuwait e Qatar exportam, juntos, cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz, o que representa aproximadamente um quarto do petróleo bruto que passa por essa via navegável. O Qatar também supre cerca de 20% da demanda global por GNL. Quanto mais tempo durarem as interrupções, maiores serão as repercussões para a economia mundial. Esses três países também mantêm laços profundos com o Japão, que remontam aos seus esforços de construção nacional. Inúmeros projetos de infraestrutura energética e industrial, realizados por empresas japonesas, continuam em operação nessas nações. Ajudá-las a superar suas dificuldades atuais representa uma oportunidade para o Japão. Rotas alternativas não são uma solução mágica. Em abril, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi danificado em um ataque iraniano com drones. Não se deve ignorar o fato de que o ataque atingiu com precisão as instalações de bombeamento responsáveis por manter a pressão do oleoduto. O porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também tem sido alvo frequente de ataques. No entanto, apesar desses riscos, os benefícios das rotas alternativas para a manutenção das exportações e a estabilização dos mercados de energia são consideráveis. Faz sentido para o Japão, que depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, apoiar tais esforços.
Produtores de petróleo buscam alternativas de oleodutos para contornar Estreito de Ormuz
Produtores de petróleo buscam alternativas de oleodutos para contornar Estreito de Ormuz






