Corporação informou ao ministro, um dia antes da decisão, que não havia encontrado indícios de crimes cometidos por pessoas com prerrogativa de foro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo O ministro Dias Toffoli, ex-relator do caso Master, determinou que a investigação subisse para a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo após a Polícia Federal (PF) informar que não havia encontrado indícios de crimes cometidos por pessoas com prerrogativa de foro. A manifestação da corporação ocorreu um dia antes da decisão de Toffoli. Leia mais: O documento foi tornado público pelo atual relator do caso, o ministro André Mendonça, na noite de quinta-feira (10). Ele retirou o sigilo de parte das investigações do Master após pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A decisão de Toffoli determinou, no dia 9 de dezembro, que todos os procedimentos investigativos relacionados à Operação Compliance Zero e ao Master fossem remetidos ao STF para serem supervisionados em ação relatada pelo próprio ministro. A justificativa dele era a existência de uma possível conexão do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) com o caso, após a PF encontrar documento com menção ao parlamentar na casa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A explicação do ministro para tal movimento foi a mesma defendida pelas defesas de Vorcaro e de outros investigados para que as investigações referentes ao Master deixassem instâncias inferiores e fossem remetidas ao STF. Nos dias anteriores à decisão monocrática, os advogados dos envolvidos fizeram pedidos com esse objetivo ao ministro. Cerca de uma semana antes de tal determinação, contudo, a PF manifestou contra a consideração que políticos com prerrogativa de foro fossem relevantes para a investigação. O documento é do dia 2 de dezembro de 2025. Segundo a corporação, o documento com a citação de Bacelar se tratava de uma minuta de compra e venda de imóvel entre o deputado e Vorcaro — a qual não foi assinada e, no final, não se concretizou. Para os investigadores, o material que mencionava o parlamentar não tinha "o menor interesse para a investigação". "Por oportuno, afirmamos que, até o momento, após filtro minucioso sobre os elementos de prova coletados, inclusive no que toca a celulares e equipamentos eletrônicos, não foram encontrados qualquer indício de prova quanto a pratica de crimes por pessoas politicamente expostas ou autoridades com prerrogativa de foro, permanecendo inalterada a hipótese criminal que se resume a apurar crimes financeiros", concluiu a PF no documento enviado a Toffoli. Mesmo com essa manifestação, Toffoli decidiu de forma contrária à PF e fixou que o inquérito do Master ficaria sob sua relatoria, no STF. Meses depois, em fevereiro deste ano, o ministro deixou o posto de forma voluntária depois de a PF revelar possíveis conexões dele com Vorcaro.