Os rebeldes houthis pró-Irã do Iêmen lançaram um ataque que ameaça o tráfego marítimo pelo estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, crucial para a Arábia Saudita desde o bloqueio do Estreito de Ormuz. Esta rota que liga a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho e o Canal de Suez ganhou mais importância após o fechamento iraniano de Ormuz. Nesta quinta-feira, os houthis tomaram a cidade portuária de Moca, localizada 70 km ao norte de Bab el-Mandeb. A Arábia Saudita, aliada do governo iemenita, lançou dezenas de ataques aéreos com caças F-15 e Typhoon para frear os rebeldes. A Defesa Civil saudita emitiu nesta quinta alertas de emergência nas cidades de Abha e Khamis Mushait, embora tenham sido suspensos pouco depois. Esta é a situação em Bab el-Mandeb, uma das passagens mais movimentadas do mundo, em um momento em que os combates se intensificam no Iêmen, com centenas de mortos em ataques e represálias entre os insurgentes houthis e a Arábia Saudita. Este estreito, cujo nome em árabe significa "Porta dos Lamentos", separa o Iêmen, na Península Arábica, do Chifre da África, e liga a Europa à Ásia através do Canal de Suez. Tem aproximadamente 100 quilômetros de extensão e 30 quilômetros de largura, estendendo-se entre a cidade de Ras Menheli, na costa iemenita, e Ras Siyyan, no Djibuti. Estes dois cabos marcam a fronteira entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden. Por que é estratégico? Petroleiros e navios mercantes procedentes da Ásia atravessam o Estreito de Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e, em seguida, ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e vice-versa. Desde o início da guerra no Oriente Médio, a Arábia Saudita aumentou suas exportações de petróleo pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRAHIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países O tráfego pelo Canal de Suez caiu drasticamente em 2024, após os ataques dos houthis a navios que consideravam ligados a Israel. Entre janeiro e agosto de 2026, o tráfego representou pouco mais da metade do nível pré-crise, segundo dados do PortWatch do FMI analisados pela AFP. Os houthis ainda não controlam diretamente o litoral que margeia o Estreito de Bab el-Mandeb, mas nesta quinta-feira se apoderaram de Moca e controlam o porto de Hodeida, mais ao norte. Testemunhas viram os houthis entrarem em Moca, gritando palavras de ordem contra os Estados Unidos e Israel. Segundo uma fonte militar, também tomaram a ilha de Zuqar, no sul do Mar Vermelho, após ataques com foguetes e uma ação terrestre apoiada por embarcações com combatentes. Desde julho, impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram vários de seus navios, mas negam a intenção de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb ou impor direitos de trânsito. Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, os houthis buscam aumentar o custo econômico e político da guerra para Riade, a fim de forçar a monarquia rica em petróleo a encerrar suas operações militares. Consequências para o petróleo Antes da guerra no Oriente Médio, o Estreito de Bab el-Mandeb já era uma importante artéria para o petróleo, responsável por 12% do fluxo global em 2023, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Veja imagens dos conflitos entre rebeldes Houthi no Iêmen e países do Ocidente 1 de 8 Manifestantes do Irã queimam bandeiras dos EUA e de Israel durante ato em Teerã em solidariedade a palestinos e rebeldes houthis após bombardeios liderados pelos EUA contra o Iêmen — Foto: ATTA KENARE/ AFP 2 de 8 Pessoas participam de um protesto nas ruas da cidade de Hudeida, no Iêmen, para condenar os ataques das forças americanas e britânicas durante a noite contra a cidade controlada pelos rebeldes houthi — Foto: AFP X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Caça da Real Força Aérea do Reino Unido participa de bombardeio contra o Iêmen — Foto: Em um comunicado conjunto assinado por dez países após os bombardeios ao Iêmen, o ataque foi descrito como uma "ação defensiva", para dissuadir o grupo rebelde a interromper os ataques a navios no Mar Vermelho — rota por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo mundial. O presidente americano, Joe Biden, descreveu o objetivo da missão como sendo "desanuviar as tensões e restaurar a estabilidade" na região. 4 de 8 Forças rebeldes houthi em Sanaa, capital do Iêmen — Foto: Tyler Hicks/The New York Times X de 8 Publicidade 5 de 8 Rebeldes houthis participam de protesto pró-palestina em Saana, no Iêmen — Foto: Mohammed Huwais/AFP 6 de 8 Navio americano interceptou mísseis disparados do Iêmen, segundo o Pentágono — Foto: Divulgação X de 8 Publicidade 7 de 8 Membros da guarda costeira do Iêmen, leais ao governo internacionalmente reconhecido, patrulham Mar Vermelho — Foto: Khaled Ziad/AFP 8 de 8 EUA e Reino Unido bombardearam o Iêmen após semanas de ataques no Mar Vermelho — Foto: Sgt Lee Goddard / MOD / AFP X de 8 Publicidade Bombardeios aumentam receios de uma conflagração de guerra entre Israel e Hamas Os ataques dos houthis durante a guerra em Gaza reduziram drasticamente o tráfego marítimo na região, mas o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tornou Bab el-Mandeb uma rota vital para a Arábia Saudita. As exportações de petróleo do porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, atingiram uma média de 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, aproximadamente cinco vezes o nível pré-guerra, de acordo com Kpler. Mas despencaram para 1,5 milhão de barris por dia em agosto, após os houthis retomarem seus ataques a navios sauditas. Segundo Andreas Krieg, especialista em segurança do King's College London, "o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente". O petróleo seguiu operando em alta nesta quinta-feira: o Brent superou os 107 dólares o barril, seu maior nível desde maio. Outra guerra no Iêmen? A guerra no Oriente Médio eclodiu em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por ataques de represália de Teerã na região. Inicialmente, os houthis permaneceram neutros, mas em julho permitiram que uma aeronave iraniana pousasse no Iêmen, apesar do controle saudita do espaço aéreo. A resposta do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita rompeu o cessar-fogo acordado em 2022. O avanço em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb intensifica a ameaça às exportações de petróleo do Golfo.
Bab el-Mandeb: Conheça estreito alternativo a Ormuz também ameaçado no Oriente Médio
Passagem, cujo nome em árabe significa 'Porta dos Lamentos', separa o Iêmen, na Península Arábica, do Chifre da África, e liga a Europa à Ásia através do Canal de Suez













