Ex-marqueteiro do senador diz que relação com candidato segue inalterada e afirma que aporte foi investimento privado proposto por Mario Frias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidenciável do PL Flávio Bolsonaro (à esq.) e seu agora ex-marqueteiro Marcello Lopes, o Marcelão — Foto: Brenno Carvalho/O Globo e Reprodução Após a Polícia Federal apontar um repasse de R$ 1 milhão feito por Marcello Lopes à produtora do filme “Dark Horse”, o ex-marqueteiro segue no círculo de conselheiros de Flávio Bolsonaro e mantém contato diário com o candidato do PL à Presidência. Marcellão, como é conhecido, deixou formalmente a campanha em maio, mas continuou sendo ouvido pelo senador e afirma que a nova revelação não mudou a relação entre os dois. O publicitário está nos Estados Unidos e disse à reportagem nesta quinta-feira que ainda não havia conversado por telefone com Flávio sobre a operação da PF. O candidato, por sua vez, cumpre uma série de agendas fora no Norte, tendo estado ontem em Roraima e hoje no Amazonas. Segundo Marcellão, porém, os dois continuam se falando normalmente. Lopes disse não ver necessidade de dar explicações a Flávio sobre o episódio e afirmou que o dinheiro teve origem em recursos próprios. — É um assunto sem pé nem cabeça. Minha participação foi exclusivamente como investidor privado, com recursos próprios e de forma regular — afirmou. Questionado sobre como entrou no negócio, Marcellão disse que a proposta partiu do deputado federal Mario Frias (PL-SP), um dos responsáveis pelo projeto. — O Frias me propôs o investimento — disse. Segundo Lopes, ele considerou a proposta um negócio favorável e decidiu fazer o aporte na condição de investidor. A permanência de Marcellão entre os interlocutores de Flávio ocorre depois de seu nome aparecer em diferentes episódios ligados ao entorno do candidato. Ele deixou o comando do marketing após a revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro havia feito repasses a um fundo nos Estados Unidos usado para financiar a produção de “Dark Horse”. À época, a saída ocorreu em meio a uma reformulação da comunicação da candidatura. A mudança, porém, não significou um rompimento com Flávio. Amigo do senador, Marcellão continuou sendo procurado e ouvido pelo candidato mesmo fora da estrutura formal da campanha. A avaliação, até agora, é que a revelação do aporte de R$ 1 milhão também não altera essa interlocução. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) usado pela PF aponta que Lopes enviou R$ 1 milhão à Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que eram realizadas as filmagens de “Dark Horse”. A movimentação foi identificada na investigação que apura suspeitas de desvios envolvendo a produção. No intervalo analisado, segundo a PF, a Go Up movimentou R$ 19 milhões, com R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. Além do R$ 1 milhão transferido por Lopes, a empresa recebeu R$ 645 mil de Frias e R$ 750 mil da NTT Brasil. Lopes sustenta que sua participação não teve relação com a campanha de Flávio nem com Vorcaro. Segundo ele, o aporte foi uma operação empresarial regular e formalizada, feita após receber de Frias a proposta de investir no filme. O ex-marqueteiro também já apareceu em outra frente relacionada a Vorcaro. Seu nome foi citado no chamado “Projeto DV”, plano para montar uma estratégia de comunicação nas redes sociais em defesa do Banco Master e do banqueiro. Segundo integrantes da campanha, o episódio foi um dos fatores que pesaram para sua saída do comando do marketing, diante do receio de que sua permanência pudesse reforçar a associação de Flávio com Vorcaro. Marcellão sempre negou essa versão. Ele atribui sua saída a um desentendimento com o então coordenador de imprensa da campanha, Rodrigo Saccone. Os dois tiveram uma discussão acalorada e quase chegaram às vias de fato porque o publicitário suspeitava que Saccone estivesse vazando episódios internos para a imprensa. Na ocasião, Marcellão cobrou o afastamento de Saccone, mas a exigência não foi aceita pelo coordenador da campanha, Rogério Marinho. Diante do impasse, o publicitário decidiu deixar a equipe. Saccone também deixou de atuar diretamente para Flávio e passou a atender apenas Marinho.