Newsletter semanal com colunistas do GLOBO aborda os efeitos da crise sem precedentes da Corte na disputa pela Presidência 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Colunistas do GLOBO respondem sobre temas eleitorais na nova newsletter 'A pergunta da semana' — Foto: Editoria de Arte O Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma crise sem precedentes a menos de 30 dias do primeiro turno das eleições. Depois de o ministro André Mendonça retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens entre o colega de Corte Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, Moraes dobrou a aposta e pediu investigações contra Mendonça por supostos indícios de crime de responsabilidade, abuso de poder e improbidade administrativa. O confronto aberto incluiu ainda o afastamento, por Mendonça, do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, revisto no dia seguinte por Flávio Dino. Cobrado a se posicionar em meio ao caos, o presidente do Supremo, Edson Fachin, anulou as decisões tanto de Mendonça quanto de Dino, solicitou explicações aos envolvidos, removeu Moraes da relatoria do inquérito das fake news e convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira, na qual se espera que os magistrados deliberem, enfim, sobre as múltiplas implicações do imbróglio. Mas afinal, tão próximo do desfecho da corrida presidencial, entre Lula, Flávio Bolsonaro ou um “outsider”, qual candidato mais se beneficia com a guerra interna no STF? Esse é o questionamento de hoje da newsletter "Pergunta da semana", na qual jornalistas do GLOBO focados na cobertura política respondem, sempre às quintas-feiras, as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral. Nesta edição, analisam o tema os colunistas Thomas Traumann, Vera Magalhães e Merval Pereira, além do editor de Política, Thiago Prado. Confira! É um paradoxo que explica 2026: Flávio Bolsonaro, o candidato a presidente que arrancou R$ 70 milhões de Daniel Vorcaro, é favorecido no escândalo sobre o ministro Alexandre de Moraes, que levou mais de R$ 80 milhões do mesmo banqueiro. Isso porque, para o brasileiro médio, Alexandre de Moraes é Lula e, portanto, tudo que é ruim para um, é ruim para o outro. O fato de que nem o juiz, nem o candidato explicaram direito porque mereceram tanto dinheiro de Vorcaro vem de brinde nessa campanha. Flávio tentou surfar a onda do desgaste de Alexandre de Moraes na maior cara de pau, fazendo de conta que não está todo enrolado por ter pedido e recebido milhões de Daniel Vorcaro. A volta do caso à ordem do dia pode estragar sua estratégia. Para Lula, a crise no STF é igualmente crítica. Não vejo como alguém possa se beneficiar. Não tenho dúvida de que Lula é o mais prejudicado. Sua ligação com o Supremo foi o que permitiu ao governo não ser totalmente inviabilizado por um Congresso majoritariamente de centro-direita. O acordo mediado por Moraes entre Lula e Alcolumbre viabilizou que projetos importantes fossem aprovados neste fim de ano. E quem perde por enquanto a guerra é Moraes, que passou de grande defensor da democracia para protagonista de um escândalo que abalou os alicerces dessa mesma democracia. Com ele, Lula perdeu prestígio e permitiu que Flávio subisse na percepção do eleitorado. Mas, como a disputa é entre os dois candidatos mais rejeitados, nada impede que um novo escândalo envolvendo Flávio mude o panorama. Só não há um outsider com força suficiente para dissolver a polarização. É igual à corrida pela liderança do Brasileirão entre Flamengo e Palmeiras. Nos últimos dias, o contexto foi melhor para Flávio Bolsonaro, que sempre focou nas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, o protagonista do momento nas investigações do Master. Mas, em meio à disputa entre ministros do Supremo, o caso 'Dark horse' começou a andar na mesma Corte com o ministro Flávio Dino. Aí é Lula que pode se beneficiar. Quem parece perder fôlego é o outsider paz e amor Augusto Cury. Sua estratégia de não brigar com ninguém pouco combina com a guerra no STF.
'Pergunta da semana': Lula, Flávio Bolsonaro ou um 'outsider', qual candidato mais se beneficia com a guerra interna no STF?
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