Na primeira semana de setembro, partes das zonas Oeste e Sudoeste do Rio de Janeiro foram ocupadas por milhares de fãs de música vindos de diversos lugares do Brasil e do mundo para o Rock in Rio. A movimentação de jovens com camisas pretas ou looks arrojados, que já se tornou uma tradição na cidade, desta vez veio acompanhada pela ostensiva presença das forças de segurança pública, incluindo o temido Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, que chegou a montar um acampamento com dezenas de homens em uma área de mata entre as favelas de Rio das Pedras e da Muzema. Bem-sucedida na primeira semana do festival, a estratégia visava não somente garantir a segurança de quem ia ou vinha da Cidade do Rock, mas, sobretudo, provocar uma trégua na guerra que assola a região e já causou mais de uma centena de mortes somente neste ano.
Desmembrada em 9 de setembro do ano passado, quando a prefeitura do Rio criou a Zona Sudoeste para separar bairros como Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, que têm renda per capita mais robusta, de outros menos abastados, como Campo Grande e Bangu, a Zona Oeste do Rio já teve várias “encarnações”. Até os anos 70 do século passado, era uma região parcialmente intocada que aliava praias desertas a uma ampla área rural. De recanto bucólico tornou-se objeto de cobiça dos “novos-ricos”, que aproveitaram os inúmeros empreendimentos imobiliários dos anos 80 e 90 para criar na Barra uma “nova Zona Sul” e transformar a orla da Zona Oeste em vetor de um desregrado expansionismo urbano. O crescimento desordenado trouxe com ele a favelização e, a partir dos anos 2000, a região virou laboratório e maternidade das milícias cariocas.











