Grupo carioca também sacou temas de sua autoria que são gigantes na memória afetiva dos brasileiros, como o próprio jingle do festival 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Roupa Nova no Rock in Rio 2026 — Foto: Fabiano Rocha Num movimento que poucas vezes se viu nesta edição do Rock in Rio, muita gente se aglomerou em frente ao Palco Sunset, no fim da tarde desta segunda-feira, à espera do Roupa Nova, segunda atração do espaço neste quarto dia de festival. Muita gente mesmo. A roupa é nova, mas foi com “Sapato velho” que o grupo começou seu setlist para uma multidão engajada que, de quebra, também aguardava pelo convidado ilustre: Guilherme Arantes. O sapato ganhou coro, e um solo bonito de baixo de Nando, elegantemente trajado num paletó creme. Público canta junto com o Roupa Nova no palco Sunset, n Rock in Rio 2026 — Foto: Fabiano Rocha Numa época em que não existiam trends de TikTok, era o Roupa Nova quem fabricava hits para uma penca de novelas populares na TV, e foi defendendo esse status de grandes hitmakers do soft rock que eles seguiram a apresentação no Sunset. Embalando um por um, como “Linda demais”, “Dona” (da novela “Roque Santeiro”) e “A viagem” (do folhetim homônimo), todos cantados verso por verso por quem esteve diante deles nesta tarde cinzenta. A César o que é de César, e fica a impressão que, se o Roupa Nova foi escanteado do Rock in Rio por tantos anos (eles só haviam tocado em 1991, no Maracanã), quem perdeu foi festival. Além de grandes compositores, são excelentes músicos, com destaque para Kiko, um herói da guitarra, e Serginho Herval, que além de exímio cantor é um baterista elegantérrimo. Fizeram “Maria, Maria” que, com a licença de Milton Nascimento, poderia muito bem ser uma música do Roupa Nova. O grupo, aliás, recebeu esse nome depois de acompanhar Milton num disco (antes eram The Famks). Emendaram em “Meu universo é você”, mais um coro da plateia, tudo dominado. O Roupa Nova também sacou temas de sua autoria que são gigantes na memória afetiva dos brasileiros, como o próprio jingle do Rock in Rio (“Se a vida começasse agora…”) e o tema de Ayrton Senna que foi popularizado nas transmissões de Fórmula 1 da TV Globo. O que mais eles poderiam tirar da cartola? No Rock in Rio, estará salvo quem tem bom repertório. E o Roupa Nova tem bons amigos também. Um deles é Guilherme Arantes, que chegou no palco com 35 minutos de show. Sentou no piano de cauda e emocionou muita gente com “Cheia de charme”, hit absoluto do paulistano de 73 anos. Foi a primeira vez dele no Rock in Rio. “Isso aqui é um sonho maravilhoso”, disse o músico. Em fevereiro, em entrevista ao GLOBO, Guilherme falou sobre a falta de convites de grandes festivais: – Essa exclusão se dá por vários motivos. Não sou uma caricatura, e o showbizz é pautado por caricaturas – afirmou naquela ocasião. O (atrasado) convite do Rock in Rio veio logo depois. Guilherme Arantes no palco com Roupa Nova no Rock in Rio 2026 — Foto: Fabiano Rocha Guilherme é, sim, um homem de muitos sucessos. A plateia se emocionou de novo e pegou carona na cauda do seu cometa em “Lindo balão azul”. Aí Nando pediu pra galera ligar a luz do celular e fez discurso de união, para introduzir “A paz”, competente versão de “Heal the world”, de Michael Jackson. Por alguns minutos, é possível que tenham cessado as tensões no Oriente Médio, tamanha era a devoção da plateia. O show continuou com “Volta pra mim”, outro sucesso arrasa-quarteirão que o grupo dedicou a Paulinho – integrante histórico do Roupa Nova que morreu em 2020, em decorrência da Covid-19 – e “Coração Pirata”, tema da novela “Rainha da Sucata”. Tudo pra fechar como DJs fecham casamentos por aí, com um dos maiores hits da história da música brasileira. De Michael Sullivan e Paulo Massadas, “Whisky à go-go” passou a régua num show indefectível, certamente um dos melhores desta edição do Rock in Rio.