Da clássica Rua Ceará às festas itinerantes do Centro, artistas e produtores mantêm viva a cultura independente carioca 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A banda Imundos, da Zona Oeste, criou o próprio festival de rock diante da falta de espaços para bandas independentes — Foto: Ian Dias/Divulgação Banda Imundos Hoje é dia de “metais pesados” no Rock in Rio, com direito a rodinha punk e muita bateção de cabeça. Mas, para além do festival, os quatro cantos da cidade oferecem uma variedade de artistas e lugares que fazem a cena da música underground carioca. O berço desse mosaico é a conhecida Rua Ceará, na Praça da Bandeira, que viu nascer o primeiro motoclube do país e catapultou bandas e artistas como Pitty, Matanza e Planet Hemp, entre outros. — Não dá para falar de cultura underground sem falar da Rua Ceará. Ela já tinha uma importância gigantesca na cena desde o fim dos anos 80. Começou com o Garage Grindhouse, depois abriram outras casas, como o Heavy Duty, que virou o Heavy Beer. Na época, produtores do Circo Voador buscavam artistas no Garage — conta André Paumgartten, gestor do ponto de cultura da Rua Ceará, integrado à rede do Ministério da Cultura. Há muitos outros endereços importantes nessa história. Ela se espalha por diversos bairros e, em muitos casos, encontra espaço justamente onde não existe uma casa de shows tradicional. No caso da música eletrônica, alguns eventos específicos ocupam lugares inusitados, como garagens, becos e ruas menos habitadas do Centro, da Gamboa e do Santo Cristo. — A cena independente do eletrônico está fora do espaço convencional. Alguns eventos, como o Mani Dansante e a Gruta, que misturam trance, house e jazz, acontecem em locações que ressignificam totalmente lugares que não foram feitos para ter festa, geralmente no centro da cidade, onde há menos problemas de barulho com a vizinhança — conta o DJ Vinicius Tesfon. Para ele, o conceito de underground não se restringe só ao que está fora das rádios, mas a um jeito de encarar a vida. — É uma visão de mundo de quem não se contenta com os padrões. Na música, são pessoas que não se sentem representadas pelo que toca por aí e aproveitam o lúdico, outros tipos de eventos e formatos. Acabam se encontrando na diferença e criando comunidades — diz Tesfon. ‘Muito perrengue’ Driblando as dificuldades de encontrar espaços para tocar e apostando no trabalho autoral, quatro amigos da banda hardcore Imundos, da Zona Oeste, criaram o próprio festival: o Imundos Fest. — Depois de passar muito perrengue com produtores e donos de bar que às vezes não ofereciam o mínimo para um show ou para a banda, decidimos fazer um festival do nosso jeito. Sempre pensando em oportunidades para as bandas que estão iniciando abrirem e unir as que fazem parte da cena — conta o guitarrista Vinicius Morais. Nos últimos anos, o estouro de bandas cover tirou espaço de projetos autorais nas casas de shows. Segundo o músico e agitador cultural Melvin Ribeiro, a cena existe no Rio, mas falta palco para a quantidade de talentos. — Alguns lugares tentam dividir a programação com esse outro formato, que tem mais apelo — afirma Melvin. A Rua Ceará, na Praça da Bandeira, durante festival de rock no ano passado — Foto: Bonde Music/Divulgação Para dar conta de receber artistas independentes, Pedro Azevedo criou a Audio Rebel, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Por lá, o palco é pequeno, mas abriga todas as tribos: rock, hip-hop, jazz, noise e quem mais chegar. — A gente recebe de tudo um pouco. Fui guitarrista de uma banda de punk rock no final dos anos 90 e com essa vivência, além do que eu escutava, entendi que a gente precisava criar o nosso mercado. Em outubro vamos celebrar 21 anos — explica Pedro, antes de apontar outros espaços similares no bairro, como a Hanoi Studios e a Vizinha 123. Audio Rebel. No fim do corredor, o palco em Botafogo abriga apresentações de gêneros variados — Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo Outro lugar que virou referência como espaço alternativo é o Escritório Transfusão, no centro da cidade. O nome entrega: trata-se, na origem, de uma sala comercial na Rua da Constituição, 64, mas que serve como estúdio para artistas e músicos produzirem e ensaiarem, além de base para eventos que rolam na calçada. Tudo começou com um grupo de amigos que faziam parte de oito bandas diferentes e não tinham lugar para se reunir. — A gente é um coletivo de catalisação de expressões. O ponto de partida é a música, com esquema de gravação “faça você mesmo”, mas também incluímos artes plásticas, eventos de poesia, cacofonia. Tem de tudo. Vêm muitos músicos experimentais, mas também gente que depois cresceu. A gente já recebeu a Ana Frango Elétrico no começo de carreira — relembra Joab Regis, músico e produtor do Escritório Transfusão. Uma rede pela cidade Nas zonas Norte e Oeste, Calabouço Rock Bar, Néctar Som, Santíssimo’s Rock Beer e Nosso Quintal Cultural são outros nomes de espaços que ajudam a manter o circuito independente em movimento. — Tem muita gente boa, uma galera fazendo rock de todo tipo. Acho que o que falta para Rio é mais incentivo, como tem em São Paulo e outras cidades do país. Underground é a galera que não está no domínio público, mas merece ser descoberta — conclui o gestor cultural André Paumgartten. Lugares onde o Rio é underground Centro Escritório Transfusão — Rua da Constituição, 64 — CentroBoemia da Lapa — Praça João Pessoa, 2 — LapaLa Esquina — Avenida Mem de Sá, 61 — Lapa La Esquina - O bar más fueda da LapaCirco Voador — Rua dos Arcos, s/nº — Lapa Zona Norte O Pecado Mora ao Lado — Rua Hilário Ribeiro, 196 — Praça da Bandeira Heavy Beer Bar — Rua Ceará, 104 — Praça da Bandeira Heavy Beer BarGarage Grindhouse — Rua Ceará, 154 — Praça da BandeiraCalabouço Rock Bar — Rua Felipe Camarão, 130 — Vila Isabel Calabouço Rock Bar Zona Oeste Estância Pub — R. Estância, 66 — Padre MiguelNéctar Som — Estrada dos Bandeirantes, 22.774 — Vargem Pequena Nectar SomSantíssimo's Rock & Beer — Avenida Cesário de Melo, 1.069 — Campo GrandeNosso Quintal Cultural — Rua Sacramento Blake, 487 — Campo GrandeBar do Chico — Rua Belo Horizonte, 134 — Bangu Zona Sul Hanói Studio — Rua Paulo Barreto, 16 — BotafogoAudio Rebel — Rua Visconde de Silva, 55 — BotafogoVizinha 123 — Rua Henrique de Novaes, 123 — BotafogoMacaco Caolho — Rua Capitão Salomão, 57 — Humaitá
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