Manifestação estava marcada para esta quinta-feira, um dia após decisões de Fachin sobre a crise na Corte, mas foi cancelada e será remarcada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Alexandre de Moraes em Sessão Plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) viu com alívio a decisão do ministro Alexandre de Moraes de adiar o pronunciamento que faria nesta quinta-feira. A avaliação entre esses magistrados é que a manifestação neste momento poderia ampliar a crise interna na Corte. A expectativa entre esses integrantes era que Moraes fizesse uma defesa pública em relação às suspeitas sobre seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras. A manifestação do ministro, que havia sido marcada para 11h desta quinta-feira, foi cancelada menos de uma hora depois de anunciada e, segundo o tribunal, será remarcada para uma "data oportuna". O entendimento na Corte também é de que uma fala de Moraes poderia gerar ruídos diante da operação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvios de emendas parlamentares para empresas ligadas a produtora do filme Dark Horse, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Neste sentido, a avaliação é que a manifestação do ministro poderia chamar mais atenção que a investigação. O pronunciamento de Moraes ocorreria um dia após o presidente da Corte, Edson Fachin, tomar uma série de decisões para tentar reorganizar a condução dos procedimentos que estão no centro da crise envolvendo o STF. Entre as medidas estão a convocação de sessão para julgar relatório da PF que trata das mensagens de Vorcaro e a retirada de Moraes do inquérito das fake news. A expectativa em torno da fala havia aumentado justamente pelo momento em que ela foi anunciada. Seria a primeira manifestação pública de Moraes após Fachin revogar, na quarta-feira, sua designação para comandar o inquérito das fake news, investigação aberta em 2019 e conduzida pelo ministro por mais de sete anos. Fachin preservou os atos praticados até então e passou a concentrar na Presidência do tribunal a condução do procedimento. Segundo interlocutores, Moraes pretendia abordar no pronunciamento justamente sua atuação à frente do inquérito das fake news e fazer uma defesa das medidas adotadas ao longo dos mais de sete anos em que comandou a investigação. Havia ainda a possibilidade de o ministro mencionar episódios de ameaças sofridas por integrantes do Supremo durante esse período, como parte de uma defesa da necessidade das medidas adotadas pela Corte. A decisão de Fachin fez parte de um conjunto de medidas tomadas em meio à crise que envolve Moraes e André Mendonça e os desdobramentos do caso Master. Nos últimos dias, o presidente do STF passou a assumir papel mais direto na administração do impasse e na definição do destino de investigações que atingem integrantes da própria Corte. O pronunciamento também ocorreria após Moraes ter se tornado alvo direto dos questionamentos provocados pela divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A crise levou a uma sequência de decisões e reações dentro do Supremo e colocou Fachin sob pressão para encontrar uma saída institucional para o impasse.