Candidato do Avante, em terceiro nas pesquisas eleitorais, participou de encontro com operadores da Faria Lima, em São Paulo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Augusto Cury (Avante) candidato a presidente, em discurso em trio elétrico em Copacabana no dia 7 de setembro — Foto: Ana Branco O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato a presidente pelo Avante, descartou apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno nesta quinta-feira (10) e estabeleceu condições para direcionar o voto ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome de oposição no pleito. As declarações ocorreram em encontro com operadores da Faria Lima, em São Paulo, organizado pelo banco Genial. — Eu não apoiaria, em hipótese alguma, Lula. Nem 0,01% — declarou Cury, sob aplausos da plateia. — O Lula tem que se aposentar, o modelo do PT tem que aposentar. Com todo o respeito ao que fez em seu primeiro governo, quando estava o Meirelles (Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central) e o Palocci (Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda), com todos os seus problemas. No caso de Flávio, ele condicionou a possibilidade a explicações do candidato sobre o seu envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, suspeito de comandar esquema de fraudes financeiras que causou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e em investimentos estatais. — Não ficaria neutro. Mas ele teria que provar que não é corrupto, teria que explicar o “Dark Horse”. Tem um longa-metragem meu sendo rodado agora com quase um décimo do valor do filme do pai dele, para ter uma ideia. E ele teria que pegar o meu plano de governo, ir no cartório, fazer um registro e dizer que vai cumprir. Pesquisa Quaest divulgada no dia 7 de setembro mostrou Lula (36%) e Flávio (29%) liderando a disputa, com Cury isolado na terceira posição nas intenções de voto (8%). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nas simulações de segundo turno, o petista e o filho de Bolsonaro empatam numericamente em 41%. O partido de Cury, comandado pelo deputado federal Luís Tibé (Avante-MG) tem coligações formadas tanto com o PT (4) quanto com o PL (7) nos estados. Ele rebateu esse fato dizendo que, quando decidiu sair candidato, os acordos eleitorais já estavam formados e que não teria condições de procurar uma sigla em situação de completa neutralidade. No caso do PT, as alianças envolvem estados como Bahia, com o petista Jerônimo Rodrigues; Alagoas, com o ex-ministro Renan Filho, do MDB; e Rio Grande do Sul, com a chapa de Juliana Brizola e Edegar Pretto, de PDT e PT, respectivamente. O apoio ao PL é direto em Santa Catarina, com Jorginho Mello, e Rio de Janeiro, com Douglas Ruas, além de estarem na mesma coligação em São Paulo, com Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Ao longo do evento, Cury procurou se associar a nomes conhecidos do mercado financeiro, como Ilan Goldfajn, Mansueto Almeida, Marcos Lisboa, Mauro Benevides e Armínio Fraga. Alegou ainda que é lido por vários ministros do Supremo e tem "amigos" no Congresso, numa tentativa de demonstrar viabilidade política para comandar o país. Em diversas questões econômicas, contudo, deu respostas genéricas, prometendo auditorias nas contas públicas e estudos sobre o impacto da reforma tributária. Por outro lado, defendeu a aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso, deixando em aberto a aplicação em alguns setores, o que difere de candidatos como Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e o próprio Flávio. — Quero sugestões. Sei formar um time, e o time vai ser melhor que o técnico — afirmou Cury, antes de se descrever como o "pesadelo de Lula" e alguém que não quer fazer "carreira política", mas exercer um mandato "tampão". Ele também sugeriu como proposta — para que membros do Judiciário não atuem "acima da lei", em suas palavras — delegar a prerrogativa do presidente da República em indicar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para um grupo contendo associações de magistrados e o Ministério Público. A meta seria apresentar, na primeira semana de governo, uma PEC ao Congresso nesse sentido. Cury defendeu, ainda, tempo de mandato de oito anos para juízes do STF, exigência de 2/3 da composição por meio de servidores de carreira e ausência de filiação partidária nos cinco anos anteriores. E anunciou que seria favorável ao impeachment de Alexandre de Moraes, que teve conversas com Vorcaro reveladas no inquérito do Master e pode ser investigado a partir da próxima semana, mas não de imediato. — Defendo, sem juízo de valor, porque quero pacificar essa nação, que até as últimas consequências o doutor Alexandre de Moraes seja investigado. Se não der (em crime), ele continua. Se der, deve ser impeachmado. Porque nenhum cargo eletivo ou de carreira pública é dele, mas do contribuinte.