Onze dos 12 jurados consideraram não condenar Clancy, mas único dissidente se recusou a absolvê-la por insanidade mental, apesar de admitir ter dúvidas razoáveis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lindsay Clancy durante seu julgamento pelo assassinato dos três filhos — Foto: Reprodução / YouTube / NBC News Parecia que as deliberações do julgamento por homicídio de Lindsay Clancy, nos Estados Unidos, haviam chegado ao fim. Onze dos 12 jurados haviam concordado em não condenar Clancy. Então, o único jurado que mantinha uma posição contrária “admitiu que tinha dúvidas razoáveis”, contou a presidente do júri, Roni Carlson, em uma entrevista à emissora NBC10, de Boston, na terça-feira. De acordo com as instruções dadas pelo juiz, se os jurados tivessem considerado todas as provas, mas ainda assim tivessem dúvidas razoáveis sobre as acusações contra Clancy, deveriam absolvê-la. Carlson, uma professora aposentada, começou então a preencher os três formulários de veredito, relatou na entrevista. Ela chegou a assinar cada uma das folhas. Mas, pouco tempo depois, o jurado que discordava dos demais disse: “Ainda não vou dizer que ela é inocente por motivo de insanidade mental”. Nas primeiras declarações públicas de jurados desde o julgamento, que durou um mês, Carlson e outras duas integrantes do júri falaram sobre a exaustiva semana de deliberações, durante a qual o júri — composto por nove mulheres e três homens — não conseguiu chegar a um consenso, levando o juiz William Sullivan a declarar a anulação do julgamento. A questão da insanidade O advogado de Clancy argumentou que ela sofria de psicose pós-parto quando estrangulou os filhos com faixas elásticas de exercícios, em 24 de janeiro de 2023. A promotoria contestou a gravidade do quadro e afirmou que Clancy havia planejado matar os filhos antes de tentar tirar a própria vida. As três juradas disseram, em uma entrevista conjunta à emissora, que acreditavam que as provas mostravam claramente que Clancy amava os filhos e havia buscado ajuda repetidas vezes para lidar com seus problemas de saúde mental. — Tudo provava que ela amava os filhos, então ela tinha que ter perdido o controle — disse Carlson. O jurado que discordou dos outros 11 ainda não parece ter sido identificado ou entrevistado publicamente. Uma das três juradas entrevistadas, Kellie Farina, chef de um centro para idosos, disse à emissora americana que o jurado que discordava dos demais “teve muita dificuldade para superar o fato de que Lindsay matou brutalmente os filhos”. A terceira jurada entrevistada, Paula Devlin, que trabalha para uma empresa de defesa, disse que o colega que manteve a posição contrária “ignorou completamente” informações fornecidas pelas enfermeiras que faziam parte do júri para ajudar a interpretar os relatórios médicos do hospital onde Clancy ficou internada depois de matar os filhos. Tensão no júri As juradas disseram que os depoimentos e as provas apresentados no julgamento foram brutais em alguns momentos. Farina descreveu como “horrível” a ligação para o serviço de emergência feita por Patrick Clancy, então marido de Lindsay, na noite em que as crianças foram mortas. — Quando ouvimos novamente na sala do júri, choramos de novo — lembrou ela. As juradas fizeram críticas à promotoria, que Farina classificou como “dura”, em comparação com a estratégia da defesa, que ela descreveu como “compassiva”. Farina afirmou que a promotoria apresentou muitos especialistas médicos, mas nenhuma testemunha que dissesse que Clancy era uma mãe ruim — um fator que, segundo ela, teve grande peso para as três juradas. As juradas disseram que o advogado de Clancy, Kevin Reddington, era arrogante, mas também o consideraram compassivo e, em alguns momentos, divertido. O caso dividiu profundamente os americanos. Enquanto alguns apoiam a acusação, outros — especialmente mulheres que relatam experiências negativas com o sistema de atendimento à saúde mental no período pós-parto — demonstraram solidariedade a Clancy. Clancy, que ficou paraplégica após a tentativa de suicídio, está atualmente internada no Tewksbury Hospital, uma instituição psiquiátrica administrada pelo estado. Os promotores ainda não anunciaram se pretendem realizar um novo julgamento.