Petróleo a mais de US$ 100 por barril (159 litros), como foi negociado nesta quarta-feira, 09, é mais do que um número simbólico, como costuma ser todo 100, em todas as culturas.PUBLICIDADEÉ hora de examinar causas e consequências dessa menor oferta e da maior procura do produto. A cada bombardeio de refinaria ou de navio petroleiro no Oriente Médio, aumentam as dificuldades para reposição dos estoques globais, especialmente quando se aproxima o inverno no Hemisfério Norte, quando aumenta o consumo de energia para alimentar os aparelhos de aquecimento. A Guerra do Irã está empacada. Crescem as evidências de que o presidente Trump não sabe como terminá-la. E suas ameaças via gogó já não impressionam mais. Nesta quarta-feira, 09, o tipo Brent fechou a US$ 101,21, alta de 40% desde 28 de fevereiro, quando a guerra começou.Os preços do petróleo tendem a continuar acima dos US$ 90, advertem os analistas Foto: 12019/PixabayComo não há sinais de reversão desse jogo aflitivo, os preços do petróleo tendem a continuar voláteis, mas em nível elevado, provavelmente acima dos US$ 90, como advertem os analistas. É fermento para aumento da inflação nos países ricos, não só pela alta dos combustíveis, mas pelas dificuldades de garantir os suprimentos de matérias-primas, componentes e alimentos, que se seguem ao prolongamento das hostilidades e do fechamento do Estreito de Ormuz.PublicidadeÉ fator que se conjuga com o agravamento da crise ambiental pela intensificação do fenômeno El Niño, que também atua para a puxada dos preços dos alimentos. A Europa, por exemplo, já acusa o impacto de uma seca prolongada sobre a produção da agricultura. E é o que ajuda a explicar a nova esticada dos preços das commodities agrícolas, como soja, milho, café e açúcar.Mais inflação obrigará os grandes bancos centrais a acionar sua política monetária para retirar dinheiro da economia e, assim, aumentar os juros e os custos de produção. Juros mais altos, por sua vez, tendem a desacelerar a atividade econômica.Não é a paisagem com que o presidente Trump pretende contar para as eleições de renovação do Congresso dos Estados Unidos em novembro. Daí, os possíveis desdobramentos para a área política.Brasil não está imune a distorções. A inflação interna tende ao negativo por obra dos artificialismos da política do presidente Lula. Graças aos subsídios, os preços internos do óleo diesel são mais baixos do que os vigentes internacionalmente. É improvável que o governo permita novos reajustes internos às vésperas das eleições. É fator que enche a represa energética, que uma hora dessas pode transbordar.Vale ler tambémÉ hora de ajustar a grave situação fiscal e voltar a ter superávits para reduzir a dívida públicaRegime especial para data centers contemplará várias fontes de energia, diz secretário Leilão de baterias atrai grandes empresas e pode demandar R$ 25 bi em investimentos Publicidade