Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho da Multi, considera grave a troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, sugerindo o afastamento de Moraes. Ostrowiecki destaca que a confiança no Judiciário é crucial para o ambiente de negócios e que a suspeita sobre o STF prejudica o Brasil. Ele defende revisão das políticas do Supremo e critica a falta de supervisão no caso do banco Master, que resultou em um rombo de R$ 52 bilhões no FGC.Foto: Multilaser/DivulgaçãoAlexandre Ostrowiecki Presidente do Conselho da MultiAlexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da Multi, vê troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como de alta gravidade por envolver o Judiciário.“Se as instituições supremas estão funcionando, pelo menos, existe esperança de coibir a corrupção nos níveis inferiores. Se a podridão atinge o andar de cima, não resta saída para o Brasil”, afirma Ostrowiecki ao Estadão.Para ele, o caso requer o afastamento de Moraes e uma revisão das políticas do Supremo para situações semelhantes. PublicidadeO executivo afirma que o ambiente de negócios foi prejudicado, uma vez que o caso abalou a segurança do País.“Nenhum país atrai investimento de longo prazo quando o árbitro está sob suspeita”, diz.Leia os principais trechos da entrevista a seguir.PublicidadeAlexandre Ostrowiecki, presidente do consleho da Multi, acredita que Alexandre de Moraes deveria ser afastado do STF Foto: Multi/DivulgaçãoNa sua visão, qual é a gravidade das mensagens trocadas por Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes?As relações com o STF têm uma gravidade de outra natureza, pois essa é a instituição máxima que deveria garantir todas as outras. Se você não confia no julgador, quem julga o julgador? Não estou menosprezando a gravidade de ter um banqueiro acusado de fraudes bilionárias irrigando de dinheiro deputados, senadores, governadores e todo tipo de agente político, em busca de favores futuros. No entanto, se as instituições supremas estão funcionando, pelo menos, existe esperança de coibir a corrupção nos níveis inferiores. Se a podridão atinge o andar de cima, não resta saída para o Brasil.Acredita que Moraes deveria renunciar ao cargo de ministro do STF diante dos indícios de vínculos com Vorcaro?O mínimo que a gravidade exige é o afastamento das funções enquanto durar a apuração, por iniciativa própria ou institucional. Nenhum juiz de primeira instância seguiria despachando sob indícios equivalentes. A saída definitiva tem um caminho constitucional claro, que é o julgamento pelo Senado. O que não pode acontecer é o STF julgar corporativamente um dos seus e o país fingir que nada aconteceu.O caso chega a ser mais grave do que o que causou o impeachment de Dilma Rousseff?São casos de naturezas diferentes. As pedaladas foram uma violação fiscal sem indício de enriquecimento pessoal, e custaram um mandato. Aqui, se confirmados os indícios, há suspeita de vazamento de operação policial e de benefício milionário à família de um ministro da Suprema Corte. Um presidente que erra é fiscalizado pelo Congresso e pelo Judiciário. Quando a suspeita está no próprio Judiciário, o dano institucional é maior, porque atinge o último guardião da lei.PublicidadeO STF precisa rever suas políticas a fim de evitar casos como os que estão envolvendo os ministros?Precisa, com urgência, em três pontos. Regras públicas de impedimento e transparência para contratos de familiares de ministros com quem tem interesses na Corte; um código de conduta com fiscalização externa, porque autocontrole sem controle externo já provou que não funciona; e limites às relatorias individuais sem prazo e sem colegialidade. O problema não é de indivíduos, é de desenho institucional: poder sem freio produz abuso, não importa quem esteja na cadeira.O caso do banco Master poderia ter sido evitado? Como?Poderia, em vários momentos. O Banco Central tratava da liquidez do Master desde o fim de 2024 e, mesmo assim, aprovou em 2025 operações do grupo com técnicos do próprio regulador apontando créditos podres. O modelo era conhecido do mercado inteiro: captar bilhões em CDBs de taxa altíssima, distribuídos por grandes plataformas, com o risco empurrado para o FGC. Faltou supervisão consolidada entre BC e CVM e limite à exposição garantida pelo fundo. O resultado foi um rombo de cerca de R$ 52 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o maior da história, pago por todo o sistema.O ambiente de negócios foi muito prejudicado pelo caso Master?Foi prejudicado em duas camadas. A financeira: captação mais cara para bancos médios, liquidez do FGC drenada e confiança abalada na supervisão bancária, que era um dos poucos ativos institucionais incontestes do Brasil. E a mais profunda: nenhum país atrai investimento de longo prazo quando o árbitro está sob suspeita. O empresário sério aceita perder no mérito, o que ele não aceita é jogar sem saber se o juiz está comprado. Insegurança jurídica é imposto invisível, e o Brasil acabou de aumentá-lo.PublicidadePUBLICIDADEVorcaro tem ligações com políticos de diferentes lados. Como avalia que uma possível delação do banqueiro possa impactar o rumo da eleição presidencial deste ano?Vorcaro transitou por todos os lados, e por isso uma delação seria imprevisível. O material citaria políticos de direita, de esquerda e principalmente de centro. Não faço previsão de quem sai ferido, e desconfio de quem faça. O que defendo é critério: mesmo rigor para aliado e adversário, com provas de corroboração e transparência. Se virar arma seletiva, o veneno não mata só um lado, contamina o corpo inteiro. O eleitor deve exigir os fatos completos antes de outubro, não versões fatiadas conforme a conveniência de cada campanha.Vale ler tambémMuito além das commodities: o agro nacional rumo às prateleiras do mundoSteve Jobs construiu a Apple; Tim Cook a transformou na maior empresa do mundoFalta de terrenos em SP ajuda a ampliar projetos de galpões ao interior
Entrevista | Se a podridão atinge o STF, não resta saída para o País, diz presidente do conselho da Multi
Alexandre Ostrowiecki defende o afastamento de Alexandre de Moraes do STF devido às mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro; leia entrevista










