Assim que decidiu que seu próximo projeto seria este documentário, em 2019, o cineasta norte-americano Alex Gibney começou pelo começo —pedindo uma entrevista com o objeto de seu próximo mergulho cinematográfico, Elon Musk. A resposta veio pelo Twitter, rede social que ainda não havia sido comprada por Musk, e era clara, curta e grossa. "Gibney is a douche", algo como Gibney é um babaca, em linguagem bem mais grosseira.

Para contornar a falta de respostas às perguntas do cineasta, Gibney criou um avatar de Musk, como um personagem de videogame, que lembra o bilionário sul-africano, mas é bem mais agradável de se ver, bonitão até, e que fala frases ditas por ele na vida real, em diversas entrevistas ao longo de sua carreira, desde que surgiu como um nerdão ousado e talentoso como tantos outros do Vale do Silício, no meio dos anos 1990. Curiosamente, o jovem Musk era calvo desde muito cedo, com o topo da cabeça já visível por baixo dos fios claros e ralos, muito diferente do topetão esvoaçante que ele exibiu várias vezes mais recentemente.

Uma das afirmações mais alarmantes do empresário, engenheiro, inventor e sabe-se lá o que mais, é que ele não tem certeza de que a gente vive mesmo na realidade, e não em uma simulação. Tipo o Neo, personagem de Keanu Reeves em "Matrix", só que, na versão de Musk, ele não é "The One", o escolhido, que vai salvar a humanidade de servir como combustível para robôs de uma grande corporação que destroi o mundo. Nada disso. Ele quer ser o cara que inventa a corporação que domina o planeta. E depois o povoa só com seus descendentes, projeto este que parece bem adiantado, com seus 14 filhos conhecidos.