O Brasil resolveu, em duas décadas, o problema que parecia insolúvel: como financiar infraestrutura. Em 2025, os leilões de concessões e PPPs (parcerias público-privadas) realizados na B3 contrataram R$ 183 bilhões em investimentos (capex), além de R$ 61 bilhões em obrigações de operação e manutenção —e o calendário de 2026 mantém o ritmo. O gargalo, porém, mudou de lugar: não está mais no capital, está nas pessoas que executam.
Os sinais vêm de todos os lados. Nas universidades, o país formou 128,9 mil engenheiros em 2018 e apenas 95,6 mil em 2023, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira); as matrículas em engenharia civil caíram de 358 mil para 172 mil desde 2015.
No canteiro, a sondagem da FGV Ibre mostra 41,6% das empresas da construção apontando a falta de profissionais como obstáculo aos negócios —o maior índice desde 2011—, e levantamento apresentado pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) vai além: 94% das construtoras relatam escassez e 76% já reveem cronogramas por falta de gente.
A idade média do trabalhador da construção subiu de 37,4 anos em 2012 para 41,2 em 2023, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): as aposentadorias não estão sendo repostas.







