Por trás da rotina de preparar almoço, lavar a louça, limpar a casa, administrar remédios no horário certo e acompanhar filhos ou parentes mais velhos em consultas médicas, mora um motor econômico silencioso. Esse esforço é considerado uma tendência “natural” ao cuidado. Trata-se, porém, de um trabalho pesado e invisível. Não à toa, a filósofa marxista italiana Silvia Federici costuma afirmar que “o que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago”. No Brasil, é possível estimar qual seria o impacto econômico desse “instinto materno”. Apenas as horas semanais trabalhadas pelas mulheres no cuidado doméstico e familiar, sem contar o trabalho formal ou registrado, representariam 8% do Produto Interno Bruto, estima a economista Isabel Duarte, da FGV Ibre.

Duarte chegou a esse “valor” a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As mulheres – empregadas ou não – dedicam, em média, 21 horas semanais ao trabalho doméstico. Com base nesses dados, foi possível chegar nesse resultado econômico. Ou seja, se o “trabalho invisível” feminino fosse remunerado, o impacto no PIB seria superior ao do agronegócio, que, de acordo com o IBGE, varia entre 6% e 7% todos os anos.