0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cédulas de iene, a moeda do Japão — Foto: Unsplash Os salários reais no Japão superaram os níveis do ano anterior por sete meses consecutivos até julho, mas uma onda de alta de preços prevista para este outono ameaça encerrar essa sequência. Os salários reais subiram 2,4% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar divulgados na terça-feira. Naquele mês, os ganhos nominais totais em dinheiro “per capita” aumentaram 4,7%, atingindo 436.401 ienes (US$ 2.798). A parcela do salário-base cresceu 4,1%, chegando a 280.797 ienes em julho, resultado de aumentos salariais acordados durante as negociações trabalhistas da primavera. O salário-base registrou alta superior a 3% por sete meses consecutivos, a primeira sequência desse tipo desde outubro de 1992. Os pagamentos especiais, que incluem bônus, subiram 6,3%, para 134.819 ienes. Junho e julho são meses em que as empresas normalmente pagam bônus de verão. Esses pagamentos, somados ao aumento do salário-base, contribuíram para o crescimento dos salários nominais. O índice de preços ao consumidor que exclui o aluguel de imóveis ocupados pelos proprietários subiu 2,2% em julho. Essa foi a primeira vez em sete meses que a inflação superou a marca de 2%. O resultado deveu-se, em parte, a quedas menos acentuadas — em relação ao ano anterior — nos preços de eletricidade e gás encanado, mas a inflação ainda ficou abaixo do crescimento dos salários nominais. Espera-se que a inflação aumente neste outono, e é incerto se o crescimento dos salários reais continuará nessas circunstâncias. Em setembro, projeta-se um aumento de preços para 4.923 itens de alimentos e bebidas, segundo a Teikoku Databank — mais que o triplo dos 1.467 itens registrados um ano antes. Os fatores que impulsionam a inflação são o aumento dos custos de mão de obra e logística, combinados com a deterioração da situação no Oriente Médio. Entre os alimentos, os temperos representaram a maior parte dos itens que irá impactar em reajustes no futuro próximo, totalizando 1.959 produtos. A disparada nos preços do petróleo bruto provavelmente se refletirá nas tarifas de serviços públicos a partir do outono. O governo está subsidiando o consumo de eletricidade e gás no trimestre de julho a setembro, mas a inflação pode voltar a acelerar após o término do subsídio. "Embora se preveja um aumento de cerca de 3% nos salários nominais, os preços podem subir ainda mais do que isso a partir do outono", afirmou Yoshiki Shinke, do Daiichi Life Research Institute. "Isso poderia exercer pressão de baixa sobre o crescimento dos salários reais e, em alguns casos, até resultar em crescimento negativo." Aumentos salariais, especialmente nas pequenas e médias empresas, serão fundamentais para manter o crescimento positivo dos salários reais sem a necessidade de intervenção governamental. Para o atual ano fiscal, a média nacional ponderada dos salários mínimos — definidos em nível de província — será de 1.177 ienes, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho na semana passada. Esse valor representa um aumento de 56 ienes em relação à média nacional atual de 1.121 ienes, marcando o segundo maior aumento da história, ficando atrás apenas do acréscimo de 66 ienes registrado no ano fiscal de 2025. No entanto, as pequenas e médias empresas dispõem de recursos limitados para aumentos salariais. No ano fiscal de 2025, essas empresas apresentaram uma margem de lucro antes dos impostos de apenas 4,69%, enquanto a margem das grandes empresas foi de 10,42%. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria anunciou medidas de apoio às pequenas e médias empresas. Elas incluem ações de conscientização sobre as proteções legais para o repasse de custos aos preços e subsídios para investimentos voltados à redução da necessidade de mão de obra.