PUBLICIDADE A moeda chegou a recuar 0,1%, para 161,96 ienes por dólar, superando o patamar de 161,95 alcançado em julho de 2024, durante uma campanha anterior do Japão para sustentar a taxa de câmbio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Notas de iene — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 08:35 Iene atinge menor valor em 37 anos e Japão considera intervenção econômica O iene atingiu seu menor nível ante o dólar desde 1986, despertando preocupações de intervenção no mercado pelo Japão. A moeda caiu para 161,96 ienes por dólar, ultrapassando o recorde de 2024. Apesar do aumento dos lucros dos exportadores, a desvalorização eleva os custos de importação e a inflação, pressionando o governo. O Banco do Japão e o Ministério das Finanças sinalizam prontidão para ações enérgicas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O iene caiu ao menor nível ante o dólar desde 1986, um marco que deve aumentar a preocupação no Japão e deixar os operadores em alerta para uma possível intervenção das autoridades no mercado. A moeda chegou a recuar 0,1%, para 161,96 por dólar, superando o patamar de 161,95 alcançado em julho de 2024, durante uma campanha anterior do Japão para sustentar a taxa de câmbio. A última vez que o iene foi negociado nesse nível, seguia na direção oposta, em meio a uma forte valorização que durou anos após um acordo cambial articulado pelos Estados Unidos. O mundo era outro: a bolha de ativos do Japão ainda estava em formação, a União Soviética lidava com as consequências do desastre nuclear de Chernobyl e o filme 'Top Gun' acabava de impulsionar Tom Cruise ao estrelato em Hollywood. Desta vez, o iene está em queda e o Japão começa a deixar para trás uma estagnação econômica que durou uma geração. A fraqueza da moeda aumenta os lucros dos exportadores e, por consequência, ajuda a levar o mercado acionário japonês a níveis recordes. Por outro lado, os custos das importações aumentam, especialmente das compras de petróleo e gás, cotadas em dólares. A inflação resultante pesa sobre os consumidores, que pagam mais por itens que vão de alimentos à eletricidade, e ameaça desgastar a popularidade do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi. A desvalorização do iene continuou mesmo após a mudança de postura do Banco do Japão (BOJ), que encerrou a política de juros negativos em 2024 — decisão que havia alimentado expectativas de recuperação da moeda. O BOJ elevou a taxa básica de juros para 1% em 16 de junho, o maior nível desde 1995. Ainda assim, o impacto foi limitado, já que os investidores esperam que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, mantenha uma postura rígida em relação à política monetária. Também é esperado que o governo japonês defenda uma condução “apropriada” da política monetária em suas diretrizes econômicas básicas, em uma aparente tentativa de desencorajar novas altas de juros pelo banco central. A persistente fraqueza do iene também ocorreu apesar da intervenção recorde de ¥ 11,73 trilhões (US$ 72,5 bilhões) realizada pelo governo entre 28 de abril e 27 de maio, depois que a moeda ultrapassou pela primeira vez o nível de 160 por dólar. Segundo dados das reservas do Ministério das Finanças, essa operação provavelmente levou o Japão a utilizar parte de seus ativos em títulos estrangeiros, incluindo títulos do Tesouro (treasuries) dos EUA, para financiar a defesa da moeda. — Sem dúvida, o Banco do Japão está acompanhando a situação de perto — afirmou Shaun Osborne, chefe de estratégia cambial do Scotiabank, depois que o iene ultrapassou esse nível considerado crucial na segunda-feira. O montante expressivo gasto na intervenção evidencia não apenas o tamanho dos interesses em jogo para o Japão, mas também a dificuldade de conter a pressão em um mercado global de câmbio que movimenta US$ 9,5 trilhões por dia. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, reiterou no dia 19 deste mês que as autoridades estavam prontas para adotar “medidas enérgicas” para conter movimentos especulativos excessivos no mercado cambial. A ministra também afirmou que EUA e Japão estão cada vez mais “alinhados” em relação à política cambial após reunião com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e que ambos concordaram em tomar “medidas enérgicas” sobre moedas, se necessário. As intervenções de 2022, quando o Japão entrou no mercado para apoiar o iene pela primeira vez desde 1998, e novamente em 2024, proporcionaram apenas um alívio temporário antes que a moeda retomasse sua trajetória de desvalorização. No episódio mais recente, iniciado em 30 de abril, as autoridades intervieram diversas vezes para defender a moeda. Os analistas divergem sobre as causas da longa desvalorização do iene e sobre se — ou como — ela pode ser interrompida. Os diferenciais de juros, tanto atuais quanto projetados, costumam ser apontados como a principal razão, já que os juros persistentemente baixos no Japão levam investidores a vender ienes e comprar ativos no exterior. Questões estruturais, como o envelhecimento e a redução da população, também prejudicam as perspectivas de crescimento econômico e contribuíram para o aumento expressivo da dívida pública, fator que muitos consideram um obstáculo a altas mais significativas dos juros.