Por que alguns economistas, incluindo eu, acreditam que uma economia funciona? Meu colega do Instituto Cato, o inglês Ryan Bourne, acredita nisso. Meu amigo da Universidade de Aix-Marselha, o francês Pierre Garello, também. Somos pessoas sérias, dispostas a ouvir a razão e os fatos.

Dedicamo-nos a encontrar e anunciar a verdade. Não acreditamos com base no que nossos oponentes chamam de "fundamentalismo", ou seja —para insultar alguns cristãos praticantes—, por motivos irracionais, sem base na razão e em fatos científicos.

O restante dos economistas —sim, até os economistas— não acredita que a oferta e a demanda funcionem como se poderia esperar, mesmo se você nunca estudou economia. Eles acreditam, pelo contrário, que muitas "imperfeições" fazem a economia funcionar extremamente mal —tanto que economistas experientes da USP precisam intervir para compensar o modo burro como os mercados de oferta e demanda funcionam.

Eles dizem que existem monopólios permanentes, grandes efeitos externos, fortes tendências ao desemprego em massa. A lista é interminável. Certa vez, compilei uma lista e, sem dificuldade, consegui pensar em nada menos que 108 "imperfeições" imaginadas no quadro-negro por economistas e antieconomistas.