A ascensão de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas eleitorais é lida por cientistas políticos como sintoma de uma fadiga acumulada com a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), desconforto que, historicamente, já produziu fenômenos parecidos e de curta duração.
Nas duas últimas semanas, Cury saltou de patamares residuais para o terceiro lugar. No Datafolha mais recente, o escritor apareceu com 8% das intenções de voto. Tornou-se a principal voz fora da disputa entre o atual presidente e o senador.
O movimento não é inédito. O caso mais direto de comparação, segundo Emerson Cervi, professor titular do Departamento de Ciência Política da UFPR (Universidade Federal do Paraná), é o do empresário Silvio Santos, que surpreendeu nas pesquisas ao lançar candidatura duas semanas antes do primeiro turno da eleição presidencial de 1989.
Para Cervi, Cury reproduz o padrão de alguém que acumulou capital social como figura pública, mas não capital político, e que só consegue convertê-lo em vantagem nas eleições porque a disputa está concentrada em dois nomes com rejeição elevada.
Esse tipo de candidatura costuma crescer rápido no início da campanha, avalia Cervi, mas raramente se sustenta até o fim, porque não consegue competir com os demais quando a disputa se acirra.














